No dia 12 de outubro, o Brasil não vai comemorar somente sua padroeira, Nossa Senhora Aparecida. Ao completar 78 anos, o Santuário Cristo Redentor do Corcovado iniciará a segunda fase do processo de geminação com o Santuário Cristo Rei, de Almada, Portugal. Haverá bênção aos peregrinos e turistas de hora em hora, recitação do Rosário e oração do Ângelus. Às 15h, o encontro Brasil-Portugal será celebrado em uma missa festiva com transmissão pela Rede Vida, às 15h.
ARQUIDIOCESE DO RIO
Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio recebe o Bispo de Setúbal, Dom Gilberto Reis e o Reitor do santuário português, Pe. Sezinando Luis Felicidade Alberto. Junto com o Reitor do Santuário Cristo Redentor, Pe. Omar Raposo, eles assinarão os termos da geminação.
- No contrato os dois santuários se comprometem à divulgação mútua para os peregrinos visitantes, além da troca de publicações pastorais e celebrações em conjunto. Haverá ainda, visitas periódicas de delegações representantes dos mesmos, fortalecendo o turismo religioso nos dois países, explicou Pe. Omar Raposo.
Em maio deste ano, Dom Orani e Pe. Omar estiveram em Portugal para comemorar os 50 anos do Santuário Cristo Rei e iniciar o processo de geminação. Na ocasião mais de 100 mil pessoas participaram da festa que contou com a presença do Cardeal Dom José Saraiva Martins, enviado pelo Papa Bento XVI.
A imagem de Cristo representado com os braços abertos, como o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, foi construída por encomenda da Igreja Católica em Portugal em agradecimento a Deus, por ter mantido o país neutro durante a II Guerra Mundial.
Artigo de Dom Orani, Arcebispo do Rio
Citando:
Cristo Rei-Redentor
No dia 17 de maio deste ano, comemorou-se na Diocese de Setúbal, em Portugal, o cinquentenário da inauguração do santuário dedicado a Cristo Rei. Estivemos presentes juntamente com o reitor do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado e outras autoridades.
Nessa ocasião, diante do enviado especial do Papa Bento XVI, o Cardeal Saraiva Martins, que presidiu a celebração, concelebrada por toda a Conferência Episcopal Portuguesa, e com a presença de representantes dos governos federal, estadual e municipal do Rio de Janeiro, demos o primeiro passo na geminação dos dois santuários. Foi grande a movimentação popular em Portugal nesses dias em que foi trazida também a imagem de N. Sra. de Fátima, que raramente sai do seu Santuário, para estar presente nesse importante evento.
A inspiração começou em 1934, com o então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manoel Cerejeira, que, ao conhecer o Corcovado brotou em seu coração o desejo de construir semelhante obra frente a Lisboa. A ideia foi apoiada por todos os Bispos de Portugal na Pastoral Coletiva da Quaresma de 1937. Os bispos portugueses fizeram um voto em Fátima, no dia 20 de abril de 1940, e a pedra fundamental foi lançada a 18 de dezembro de 1949.
A inauguração do monumento foi no dia 17 de maio de 1959, Dia de Pentecostes, perante a imagem de N. Sra. de Fátima, com a participação de todo o episcopado português e dos Cardeais do Rio de Janeiro e de Lourenço Marques, hoje Maputo, além de autoridades civis e mais de 300 mil pessoas. Naquela ocasião o Papa João XXIII enviou uma radio mensagem.
É interessante notar que nós que recebemos da Península Ibérica o primeiro anúncio da fé, tenhamos em Portugal um Santuário que foi inspirado na imagem do nosso Cristo Redentor.
Nesse domingo festivo de maio, no final da celebração da Eucaristia das 16 horas, realizada na esplanada diante do monumento a Cristo Rei, em Almada, que abre os braços do outro lado do Rio Tejo sobre toda a cidade de Lisboa, assinamos a geminação entre o Santuário do Cristo Redentor do Rio de Janeiro e o de Cristo Rei de Portugal. Isso consiste na partilha de textos, documentação, das imagens da respectiva invocação, troca de intenções mútuas e peregrinações.
A essa primeira fase irá agora suceder outra, que ocorrerá aqui no do Rio de Janeiro quando estará entre nós o Bispo de Setúbal, Diocese onde está situada a Paróquia de Almada. É aí que se encontra a imagem de Cristo Rei. Virão também o Reitor desse Santuário e outras autoridades que estarão no Rio de Janeiro para assinar, no alto do Corcovado, os termos dessa geminação e trocar documentos e textos sobre os Santuários. Há uma longa agenda a ser cumprida, mas o momento central será na segunda feira, dia 12 de outubro, às 15 horas.
Nesse dia, o nosso Cristo Redentor estará completando 78 anos de sua inauguração. Do cume do Corcovado, a 710 metros de altura, ergue-se esse monumento de 38 metros, de 1.145 toneladas, construído com a participação do povo que, com entusiasmo, viu erguer esse sinal que hoje é uma das sete maravilhas do mundo moderno. Identifica-se com o Rio de Janeiro e com o Brasil. Hoje é o nosso Santuário Arquidiocesano do Cristo Redentor do Corcovado, local de peregrinações, orações e celebrações.
Recordo que iremos iniciar em breve uma campanha para a restauração desse monumento, preparando-o para os grandes eventos que ocorrerão futuramente em nossa cidade maravilhosa.
Que a fé cristã simbolizada nesse sinal e, em união com as tradições que recebemos de Portugal, seja para todos nós um anúncio de alegre acolhimento na construção da Paz e da Fraternidade.
Além da influência que foi também para muitas cidades do Brasil colocarem nos montes ou entrada dos municípios esse sinal do amor de Deus, foi ainda tema de canções e livros. Queremos que ele seja sempre um sinal que nos recorde o Senhor e Salvador Jesus Cristo, que convida a todos para que se aceitem mutuamente e cresçam na unidade.
Acredito que o importante é que toda essa movimentação e divulgação possam ajudar cada pessoa a buscar em Cristo a sua vida e a orientação da caminhada, aliás, como disse o Episcopado Português em nota por ocasião daquele jubileu: “apelamos às comunidades cristãs e aos movimentos que encontrem modos concretos para centrarem mais em Cristo a sua vivência e para agirem como sinais vivos do amor de Deus no tempo presente.”
É o que desejamos que ocorra também agora ao nosso redor: o “ardor apostólico dos discípulos missionários que vem do encontro pessoal com Cristo e da necessidade de comunicar ou narrar a outros a experiência vivida.”
+ Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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