Descrição do Editor
Esperadas há um ano, enraizadas na realidade, nutridas com a memória da caminhada, banhadas no acontecimento de Aparecida, elaboradas em espírito de comunhão fraterna por pessoas que, na força do Espírito e a partir do chamado a um encontro pessoal com Jesus Cristo, querem ser seus discípulos-missionários para que, nele, nossos povos tenham vida: eis as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Sucessivos encontros nos mais diversos níveis foram dando forma, conteúdo e vida a este decisivo instrumento da pastoral orgânica da Igreja em nosso país. Foi na 46ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, em Itaici, de 02 a 11 de abril de 2008, que as Diretrizes Gerais ocuparam o lugar do tema central, o mais importante. O texto preparatório, já remodelado por muitas emendas e sugestões, foi distribuído, estudado pessoalmente e em grupo; revisto, discutido, votado e aprovado. É bom esclarecer que, pela seqüência do calendário, a elaboração das Diretrizes já deveria ter sido efetuada na Assembléia de 2007. Tendo em vista, porém, a realização da V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe, em maio de 2007, a definição das Diretrizes foi protelada por um ano, exatamente para incorporar as contribuições de Aparecida. Deste modo, uniram-se em harmonia duas vertentes. De um lado, a tradição da pastoral orgânica no Brasil, suscitada desde o Plano de Emergência, passando pelos Planos da Pastoral de Conjunto, chegando até às Diretrizes Gerais.Do outro lado, o Documento e o acontecimento de Aparecida, com suas intuições, com suas luzes e com sua inestimável experiência.Este último, por sua vez, indicava: “As Conferências Episcopais ou outros organismos locais avancem em considerações mais amplas, concretas e adaptadas às necessidades do próprio território” (Documento de Aparecida, n.431). De fato, a graça de ser discípulo-missionário pelo encontro pessoal com Cristo, o sentido da vida encontrado na comunhão da comunidade, o despertar da alegria da missão permanente para a vida, vêm infundir novo ânimo ao serviço da Caridade, ao anúncio da Palavra e à celebração na Liturgia.É assim que a Missão se revigora na acolhida da pessoa, na renovação da comunidade e na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Talvez muitos hão de perguntar: por que, desta vez, o período da vigência das novas Diretrizes é só de três anos (2008-2010)? É que, na organização da CNBB, a Assembléia elabora primeiro as Diretrizes.Depois, escolhe aqueles que deverão colaborar mais diretamente para colocá-las em prática, ou seja, a Presidência e os membros do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP).Dada a espera pela V Conferência de Aparecida, estas Diretrizes durarão um ano a menos, podendo, porém, ser prorrogadas no momento oportuno, por mais quatro anos, se a Assembléia Geral dos Bispos assim o decidir. É importante notar que as Diretrizes não são um documento a mais.São O Documento-Chave para a leitura e aplicação de todos os demais.Em meio a tantos artigos, textos, documentos e estudos de diversas pessoas, organismos, movimentos e pastorais, elas são imprescindíveis para todos os que se alegram em assumir a Missão Evangelizadora: Comissões Episcopais, Dioceses, redes de comunidades, organismos, movimentos, congregações, em suma todos os agentes de pastoral.Assim, se constrói a unidade respeitando-se e valorizando as diferenças e evitando-se a dispersão de esforços e iniciativas. Com isso, não se desvaloriza nenhuma atividade pessoal nem se desmerece nenhum carisma especial. Antes, eles são reforçados, partilhados, comunicados, e a Igreja, Povo de Deus e Corpo de Cristo é edificada e apresentada como testemunho digno de credibilidade do Plano de Amor do Pai. Ao apresentarmos estas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil agradecemos a todos os que participaram na sua elaboração e conclamamos a todos a darmo-nos as mãos para traduzir as palavras em vida, os desafios em entusiasmo e os propósitos em concretização. Em toda a Ação Evangelizadora esteja presente a graça da Trindade Santa em nome de quem iniciamos toda a prece e de quem recebemos toda a inspiração para viver como discípulos missionários. Maria, Mãe da Igreja, em cujo Santuário em Aparecida fomos retemperados para a missão permanente, nos ajude com seu exemplo e sua materna proteção.
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