Publicado por Tht em 04/5/2008 (3143 leituras)
Dom Orani João Tempesta
Dia 24 de janeiro, data em que celebramos a memória de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, o Papa Bento XVI publicou o texto do 42º Dia Mundial das Comunicações Sociais (em 2008: 4 de maio): "Os meios de Comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço. Buscar a Verdade para partilhá-la."
O tema já tinha sido escolhido anteriormente – era praxe vê-lo anunciado no dia dos Arcanjos Gabriel, Rafael e Miguel, no dia 29 de setembro, embora este ano tenha sido excepcionalmente publicado mais tarde.
O Dia Mundial das Comunicações é uma data móvel. No Brasil, acontece no Domingo da Ascensão do Senhor, neste ano, dia 4 de maio. É o único dia criado pelo Concílio Vaticano II no primeiro decreto promulgado, que foi o Inter Mirifica (4/12/63), inclusive incentivando o povo de Deus a ajudar a mídia de sua comunidade de fé. Em carta de 14 de junho de 1966, a Pontifícia Comissão para as Comunicações Sociais cria esse dia, delimita a data e dá as orientações, celebrado pela primeira vez em 7 de maio de 1967.
De Paulo VI, passando por João Paulo II e agora chegando a Bento XVI, o Dia Mundial sempre contou com um tema especial para a reflexão não só da Igreja Católica, mas de todos os que se interessam pelas comunicações sociais.
A Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação Social da CNBB procura a cada ano incentivar as Paróquias, Dioceses e Regionais a aprofundarem o tema e celebrarem esse dia com manifestações que ajudem a Pastoral das Comunicações a se fortalecer em nossas comunidades.
Estamos com tempo para uma boa programação. De uma maneira especial exorto as Pastorais de Comunicação, e, onde não estiverem organizadas, as pessoas interessadas no assunto devem se reunir e fazer a programação para celebrarem o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Será uma boa ocasião de reorganizarem a Pascom de sua comunidade. Este ano teremos o Encontro Nacional da Pascom em Aparecida-SP, nos dias 4, 5 e 6 de julho justamente para a animação desse trabalho na Igreja do Brasil. No seu devido tempo irão as cartas-convite para que todos tenham oportunidade de se organizarem para esse evento, que é anual.
As reflexões papais sobre as Comunicações Sociais sempre são ricas de conteúdo e nos trazem importantes questionamentos. O tema deste ano, além de profundo, pois supõe um olhar sobre a realidade do mundo atual, traz também questões éticas que nem sempre são aceitas com facilidade em nosso mundo materialista e consumista.
O Papa Bento XVI parte de uma constatação: “é inegável a contribuição que podem dar para a circulação das notícias, o conhecimento dos fatos e a difusão do saber: por exemplo, contribuíram de modo decisivo para a alfabetização e a socialização, como também para o avanço da democracia e do diálogo entre os povos.” Continua o Pontífice: “Sim! Os media, no seu conjunto, não servem apenas para a difusão das idéias, mas podem e devem ser também instrumentos a serviço de um mundo mais justo e solidário”.
E, se de um lado constata o positivo, de outro vê a dificuldade: “Infelizmente, é bem real o risco de, pelo contrário, se transformarem em sistemas que visam submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses predominantes do momento”. “É o caso de uma comunicação usada para fins ideológicos ou para a venda de produtos de consumo mediante uma publicidade obsessiva.” E continua: “Com o pretexto de se apresentar a realidade, de fato tende-se a legitimar a impor modelos errados de vida pessoal, familiar ou social”. “Além disso, para atrair os ouvintes, a chamada quota de audiências, por vezes não se hesita em recorrer à transgressão, à vulgaridade e à violência”. “Existe enfim a possibilidade de serem propostos e defendidos, através dos media modelos de desenvolvimento que, em vez de reduzir, aumentam o desnível entre países ricos e pobres”.
Partindo dessa constatação é que o Papa começa a reflexão a respeito da questão da encruzilhada sobre o protagonismo ou serviço da mídia à humanidade e assim se refere: “... a ambigüidade do progresso, que oferece inéditas potencialidades para o bem, mas ao mesmo tempo abre possibilidades abissais de mal que antes não existiam.”
O Papa faz uma pergunta angustiante: “é sensato deixar que os instrumentos de comunicação social se ponham a serviço de um protagonismo indiscriminado ou acabem em poder de quem se serve deles para manipular consciências”, ou seria mais correto “fazer com que permaneçam a serviço da pessoa e do bem comum e favoreçam ‘formação ética do homem, o crescimento interior’”?
Depois de recordar a influência da mídia na vida das pessoas, pergunta se não seria atualmente necessária uma “info-ética”, tal como existe a “bio-ética” no campo da medicina e da pesquisa científica relacionada à vida.
Ele vai concluir que “o homem tem sede da verdade, anda à procura da verdade", que para nós é o Cristo Senhor, e invoca o Espírito Santo para que não faltem comunicadores corajosos e testemunhas autênticas da verdade.
Eis um trabalho a fazer pela Pastoral da Comunicação, pelos comunicadores católicos, pela mídia comprometida com a verdade e com todas as pessoas de boa vontade que querem construir um mundo mais justo, humano e solidário. Preparemo-nos para que o Dia Mundial das Comunicações Sociais abra essa oportunidade em todas as nossas comunidades e meios de comunicação.
D. Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de Belém
Dia 24 de janeiro, data em que celebramos a memória de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, o Papa Bento XVI publicou o texto do 42º Dia Mundial das Comunicações Sociais (em 2008: 4 de maio): "Os meios de Comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço. Buscar a Verdade para partilhá-la."
O tema já tinha sido escolhido anteriormente – era praxe vê-lo anunciado no dia dos Arcanjos Gabriel, Rafael e Miguel, no dia 29 de setembro, embora este ano tenha sido excepcionalmente publicado mais tarde.
O Dia Mundial das Comunicações é uma data móvel. No Brasil, acontece no Domingo da Ascensão do Senhor, neste ano, dia 4 de maio. É o único dia criado pelo Concílio Vaticano II no primeiro decreto promulgado, que foi o Inter Mirifica (4/12/63), inclusive incentivando o povo de Deus a ajudar a mídia de sua comunidade de fé. Em carta de 14 de junho de 1966, a Pontifícia Comissão para as Comunicações Sociais cria esse dia, delimita a data e dá as orientações, celebrado pela primeira vez em 7 de maio de 1967.
De Paulo VI, passando por João Paulo II e agora chegando a Bento XVI, o Dia Mundial sempre contou com um tema especial para a reflexão não só da Igreja Católica, mas de todos os que se interessam pelas comunicações sociais.
A Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação Social da CNBB procura a cada ano incentivar as Paróquias, Dioceses e Regionais a aprofundarem o tema e celebrarem esse dia com manifestações que ajudem a Pastoral das Comunicações a se fortalecer em nossas comunidades.
Estamos com tempo para uma boa programação. De uma maneira especial exorto as Pastorais de Comunicação, e, onde não estiverem organizadas, as pessoas interessadas no assunto devem se reunir e fazer a programação para celebrarem o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Será uma boa ocasião de reorganizarem a Pascom de sua comunidade. Este ano teremos o Encontro Nacional da Pascom em Aparecida-SP, nos dias 4, 5 e 6 de julho justamente para a animação desse trabalho na Igreja do Brasil. No seu devido tempo irão as cartas-convite para que todos tenham oportunidade de se organizarem para esse evento, que é anual.
As reflexões papais sobre as Comunicações Sociais sempre são ricas de conteúdo e nos trazem importantes questionamentos. O tema deste ano, além de profundo, pois supõe um olhar sobre a realidade do mundo atual, traz também questões éticas que nem sempre são aceitas com facilidade em nosso mundo materialista e consumista.
O Papa Bento XVI parte de uma constatação: “é inegável a contribuição que podem dar para a circulação das notícias, o conhecimento dos fatos e a difusão do saber: por exemplo, contribuíram de modo decisivo para a alfabetização e a socialização, como também para o avanço da democracia e do diálogo entre os povos.” Continua o Pontífice: “Sim! Os media, no seu conjunto, não servem apenas para a difusão das idéias, mas podem e devem ser também instrumentos a serviço de um mundo mais justo e solidário”.
E, se de um lado constata o positivo, de outro vê a dificuldade: “Infelizmente, é bem real o risco de, pelo contrário, se transformarem em sistemas que visam submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses predominantes do momento”. “É o caso de uma comunicação usada para fins ideológicos ou para a venda de produtos de consumo mediante uma publicidade obsessiva.” E continua: “Com o pretexto de se apresentar a realidade, de fato tende-se a legitimar a impor modelos errados de vida pessoal, familiar ou social”. “Além disso, para atrair os ouvintes, a chamada quota de audiências, por vezes não se hesita em recorrer à transgressão, à vulgaridade e à violência”. “Existe enfim a possibilidade de serem propostos e defendidos, através dos media modelos de desenvolvimento que, em vez de reduzir, aumentam o desnível entre países ricos e pobres”.
Partindo dessa constatação é que o Papa começa a reflexão a respeito da questão da encruzilhada sobre o protagonismo ou serviço da mídia à humanidade e assim se refere: “... a ambigüidade do progresso, que oferece inéditas potencialidades para o bem, mas ao mesmo tempo abre possibilidades abissais de mal que antes não existiam.”
O Papa faz uma pergunta angustiante: “é sensato deixar que os instrumentos de comunicação social se ponham a serviço de um protagonismo indiscriminado ou acabem em poder de quem se serve deles para manipular consciências”, ou seria mais correto “fazer com que permaneçam a serviço da pessoa e do bem comum e favoreçam ‘formação ética do homem, o crescimento interior’”?
Depois de recordar a influência da mídia na vida das pessoas, pergunta se não seria atualmente necessária uma “info-ética”, tal como existe a “bio-ética” no campo da medicina e da pesquisa científica relacionada à vida.
Ele vai concluir que “o homem tem sede da verdade, anda à procura da verdade", que para nós é o Cristo Senhor, e invoca o Espírito Santo para que não faltem comunicadores corajosos e testemunhas autênticas da verdade.
Eis um trabalho a fazer pela Pastoral da Comunicação, pelos comunicadores católicos, pela mídia comprometida com a verdade e com todas as pessoas de boa vontade que querem construir um mundo mais justo, humano e solidário. Preparemo-nos para que o Dia Mundial das Comunicações Sociais abra essa oportunidade em todas as nossas comunidades e meios de comunicação.
D. Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de Belém
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