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Conheça o Papa e Suas Atividades (II)
Publicado por PadreAdilsonM em 05/5/2009 (1360 leituras)
Conheça o Papa e Suas Atividades (II)
2º Artigo
Seminarista Eduardo da Costa, LC
Estudante do 4º ano de Filosofia em Roma
edacosta@legionaries.org

O Papa como Vigário de Cristo é explicado neste segundo artigo formativo redigido por Legionários de Cristo tutelados pelo Pe. Adilson Marques, LC

O Papa recebe muitos títulos que, de uma forma ou de outra descrevem o seu ministério petrino. Entre eles estão: Bispo de Roma, Patriarca do Ocidente (título abandonado pelo Papa Bento XVI em função das razões descritas no adendo a este artigo), Sumo Pontífice, Sucessor de São Pedro, Primaz da Itália, etc. Mas talvez o título que melhor descreve a sua missão de sucessor do Príncipe dos Apóstolos é o de Vigário de Cristo.

Muitas vezes, escutamos esta expressão, mas qual é o seu significado e origem? Pois bem, comecemos pela etimologia. Vigário é uma palavra de origem latina que provém de “vicarius”, e significa em termos gerais "aquele que faz as vezes de outro". Durante o Império Romano, no tempo de Dioclesiano e Constantino, vigário era o representante máximo do imperador em uma certa região administrativa ou província que era chamada pelos romanos de "Diocese".

Na Idade Média, com a queda do Império Romano, este título passou a ser usado pelo Papa, como representante do poder espiritual e como aquele que faz as vezes de Cristo na terra. Porém, como se justifica que tal titulo seja atribuído ao Papa, qual é o seu fundamento bíblico?

Para poder responder a esta pergunta, temos que ambientar-nos no contexto cultural judeu do tempo de Cristo e descobrir toda a profundidade das suas palavras em Mt 16, 17-19: "Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isto, e sim o meu Pai que que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.". Cristo, nesta passagem, nomeia Pedro seu Vigário. Ao mesmo tempo que evoca uma profecia de Isaias, onde o Rei Ezequias remove as chaves da casa de Davi de Shebna e entrega ao seu novo sucessor Eliacim (Is 22, 22): "Porei sobre os seus ombros a chave da casa de Davi: quando ele abrir, ninguém fechará; quando ele fechar, ninguém abrirá.". Vejamos como esta profecia nos pode ajudar a compreender melhor estas palavras de Nosso Senhor e o significado das “chaves”.

Em primeiro lugar, recordemos que São Mateus escrevia o seu evangelho a um público judeu, que esperava a vinda do Messias para restaurar o reino davídico e liberar Israel do julgo romano. Isso explica porque neste evangelho, Jesus é apresentado como “Rei”. Esta palavra, por exemplo, aparece 17 vezes, direta ou indiretamente relacionada a Cristo, e a palavra “Reino” aparece 51 vezes. Sem dúvida, o evangelista Mateus quer nos ajudar a abrir os olhos a uma realidade importante.

Eliacim (Cf. 2Re 18, 37) é o mordomo ou vizir do reino de Israel e Judá. Como de costume naquele tempo, todos os reinos possuíam um cargo administrativo análogo ao atual primeiro-ministro que conhecemos hoje. Basta recordar também outra passagem do Antigo Testamento onde o Faraó constitui José administrador de todo Egito (Cf. Gn 41-47) e lhe confere todo poder exceto o seu próprio trono.

No reino de Israel não era diferente. Aquele que exercia este cargo levava como símbolo as chaves do reino, que representavam o poder do rei delegado a este funcionário real. No caso do Egito o símbolo era um anel. Nenhum judeu que escutasse estas palavras de Is 22 ou de Mt 16 ficaria confundido, muito pelo contrário. Cristo, sendo da linhagem de Davi (Mt 1, 1), é o sucessor legítimo do seu trono. Ele está estabelecendo o seu reinado messiânico, e evoca esta passagem para designar o seu vigário.

O episódio de José também ilumina as palavras de Cristo em Mt 16. José foi escolhido pelo Faraó a causa de uma revelação divina. Também Cristo escolhe Simão por ter revelado a sua natureza divina "Tu es o Cristo, Filho do Deus Altíssimo". Paralelamente como José recebe um novo nome do Faraó para a sua nova incumbência, também Cristo, para significar a nova missão de Simão, lhe chama Pedro, "pedra", firme na fé como uma rocha para confirmar a todos os seu irmãos (Jo 21,15-17).

As chaves no contesto bíblico de Is 22 e Mt 16 são símbolo de autoridade jurídica e doutrinal. Cristo é o detentor das chaves do Reino dos céus (Ap 3, 7-8) e, em Mt 16 as delega a Pedro, seu vigário. Um oráculo do Senhor anunciava que Eliacim receberia a autoridade do reino de Israel. Assim também no Novo Testamento, Cristo, fundando o seu Reino, confere a Pedro a autoridade para guiar visivelmente o povo da nova aliança.

Muitos aceitam que Cristo tenha conferido tal poder a Pedro. Porem, que dizer dos 264 papas que já sucederam a Pedro na sua cátedra. Também o atual Papa, Bento XVI, possui o poder das chaves?

A exemplo do reino de Israel e do Reino do Egito, vizir se tratava de um cargo, e caso estivesse vacante, um novo deveria ser eleito. É como se morresse o presidente do Brasil, todos nos preocuparíamos de imediato para que um novo presidente fosse eleito e continuasse a representar e governar o nosso país.

Cristo restaura o reino davidico e restaura também o ofício de vizir, e faz de Pedro sucessor de Eliacim. Evidentemente que Cristo, ao eleger Pedro como o seu vicário, não esperava que com a morte do apóstolo no ano 64 da nossa era, desaparecesse o cargo. Pelo contrário, à medida que a Igreja crescia e se expandia, mais importante se tornara tal ministério, e não o oposto.
A autoridade das chaves, portanto, continua a ser exercida pelo Papa. Assim como Moisés foi eleito para guiar o povo de Israel, entregar os mandamentos da Lei de Deus e interpretá-los, igualmente Pedro possui a autoridade para guiar o povo da nova aliança. Moisés recebeu uma revelação divina no monte Sinai e foi infalível no seu ensinamento, sentado sobre a sua cátedra julgando o povo e interpretando a lei, ofício que continuava no tempo de Cristo (MT 23, 1-3). Da mesma forma hoje o Papa, desde a cátedra de Pedro continua a ensinar e guiar o povo de Deus.

Tanto os israelitas da antiga aliança como os católicos, povo da nova aliança, reconhecem a autoridade da Sagrada Escritura e da Tradição legitimamente representada no Papa e no magistério. Ambos reconhecem uma hierarquia, e possuíam uma hierarquia antes de possuir a Sagrada Escritura (Antigo e Novo Testamento foram autoritivamente recoletados em cânones). Ambos reconhecem o caráter sucessivo do ofício autoritativo de ensinar.

O Papa, Vigário de Cristo, exercitará sempre a autoridade das chaves assistido pelo Espirito Santo, e será sempre sinal visível da unidade cristã e da promessa de Cristo de acompanhar a sua Igraja até o fim dos tempos (Mt 28, 20).

Adendo

Citando:


Comunicado vaticano esclarece renúncia do Papa ao título de «patriarca do Ocidente»

Emitido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 22 de março de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comunicado do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos emitido esta quarta-feira, com o qual se explica a decisão de Bento XVI de suprimir o título papal de «Patriarca do Ocidente» no «Anuário Pontifício 2006».

No «Anuário Pontifício 2006» falta, na lista dos títulos do Papa, o título «patriarca do Ocidente». Esta ausência foi comentada de diferentes maneiras e exige um esclarecimento.

Sem pretender considerar a complexa questão histórica do título de patriarca em todos seus aspectos, pode-se afirmar desde o ponto de vista histórico que os antigos patriarcas do Oriente, fixados pelos Concílios de Constantinopla (381) e de Calcedônia (451), faziam referência a um território circunscrito com bastante clareza, enquanto que o território da Sede do bispo de Roma ficava impreciso. No Oriente, no âmbito do sistema eclesiástico imperial de Justiniano (527-565), junto aos quatro patriarcas orientais (Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém), o Papa era considerado como patriarca do Ocidente. Pelo contrário, Roma privilegiou a ideia das três sedes episcopais de Pedro: Roma, Alexandria e Antioquia. Sem usar o título de «patriarca do Ocidente», o IV Concílio de Constantinopla (869-870), o IV Concílio de Latrão (1215) e o Concílio de Florença (1439) apresentaram o Papa como primeiro dos cinco patriarcas de então.

O título de «patriarca do Ocidente» foi utilizado no ano 642 pelo Papa Teodoro I. Na continuação só voltou a aparecer em raras ocasiões e não teve um significado claro. Seu florescimento aconteceu nos séculos XVI e XVII, no marco da multiplicação de títulos do Papa. No «Anuário Pontifício» apareceu pela primeira vez em 1863.

Nestes momentos, o significado do termo «Ocidente» alude a um contexto cultural que não se refere unicamente à Europa Ocidental, mas que se estende desde os Estados Unidos à Austrália e Nova Zelândia, diferenciando-se deste modo de outros contextos culturais. Obviamente, este significado do termo «Ocidente» não pretende descrever um território eclesiástico, nem pode ser empregado como definição de um território patriarcal. Se se quer dar a este termo um significado aplicável à linguagem jurídico-eclesial, poder-se-ia compreender só como uma referência à Igreja latina. Portanto, o título «patriarca do Ocidente» descreveria a especial relação do bispo de Roma com esta última, e poderia expressar a jurisdição particular do bispo de Roma para a Igreja latina.

Portanto, o título de «patriarca do Ocidente», que desde o início era pouco claro, com o desenvolvimento da história se fez obsoleto e praticamente impossível de utilizar. Por isso, não tem sentido insistir em mantê-lo, sobretudo tendo em conta que a Igreja Católica, com o Concílio Vaticano II, encontrou para a Igreja na forma das Conferências Episcopais e de suas reuniões internacionais de Conferências Episcopais, o ordenamento canônico adequado para as necessidades atuais.

Abandonar o título de «patriarca do Ocidente» não muda claramente nada com respeito ao reconhecimento, declarado tão solenemente pelo Concílio Vaticano II, das antigas Igrejas patriarcais («Lumen Gentium», 23). A renúncia a este título quer expressar um realismo histórico e teológico e, ao mesmo tempo, quer ser a renúncia a uma pretensão, renúncia que poderá ajudar ao diálogo ecumênico.

[Traduzido por Zenit]
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