Publicado por CarinaPoswar em 25/9/2009 (3569 leituras)
Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
Arquidiocese de Mariana
(Catolicanet)
A caridade sendo sobrenatural e desinteressada ela tem ainda como nota esplendente ser sincera. Isto significa que o amor deve jorrar do coração e não dos lábios e de obras meramente exteriores.
O mundo vive da comédia, da farsa, da dobrez, do fingimento, da insinceridade, da dissimulação, da perfídia. Não assim o fiel seguidor de Jesus Cristo, pois seus sentimentos correspondem às palavras e gestos.
Para o crente os lábios são sempre intérpretes do coração. Aos Romanos aconselhava Paulo: “O amor seja sem fingimento” (Rm12,9). É que a dileção evangélica brota do íntimo do ser, é uma expansão da própria alma. Consiste a caridade antes de tudo e sobretudo de uma disposição da alma. Se é superficial, epidérmica, artificial não é autêntica e verdadeira. O epígono do Filho de Deus não vive de aparências nem alimenta as usinas da ilusão ludibriando diabolicamente os outros. Para o cristão verdadeiro a sinceridade desabrocha como uma flor, exalando perfume que enleva o próximo e embrandece os ânimos mais impetuosos. É apanágio da caridade ser também efetiva , ou seja, ela deve se traduzir em obras lucipotentes. Na sua primeira carta São João afirmou: “O que tiver bens deste mundo, vendo seu irmão passar necessidade e lhe cerra suas entranhas, como mora nele a caridade de Deus? Filhinhos, amemos não com palavras ou com língua , se com obra e verdade”(I Jo 3,17-18). De fato, apiedar-se dos sofrimentos alheios é bom, mas melhor ainda é aliviá-los. Cumpre, como ensina São Paulo, “chorar com os que choram” (Rm 12,15), e isto já é uma virtude, mas é preciso ir além, secando as fontes de tais lágrimas. A caridade é efetiva, ativa, produtiva, generosa, pródiga, munificente, magnânima, munífica. Não é negativa, é sumamente positiva. Passa dos sentimentos e afetos para atos concretos; do coração para os lábios e destes para as mãos que se fazem dadivosas, obsequiosas, dadoras, mimoseadoras. São Tiago declarou: “Se o irmão ou a irmã está desnudos e carecem de alimento cotidiano e algum de vós lhes diz: “ Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos, porém não lhes dando as coisas necessárias ao corpo, de que lhes aproveitará?” (Tg 2,15-17). Grossa trapaça, grande logro, horrípila tapeação, para não se dizer mofa indigna, escárnio imperdoável, zombaria condenável, motejo satânico. O bom samaritano da parábola de Jesus, agiu: “Acercando-se do que estava caído no caminho e vendo as feridas, derramou nelas o azeite e vinho; o fez montar na sua própria cavalgadura, o levou a uma estalagem, e teve cuidado dele. Pela manhã tirou dois dinheiros, e deu-os ao estalajadeiro, e disse-lhe: “Tem cuidado dele, e quanto gastares a mais eu to satisfarei quando voltar”(Lc 10,34-35). O bom samaritano tirou do que levava consigo. Não receou os assaltantes que haviam massacrado aquela vítima, os quais poderiam estar por perto armando outra emboscada. Não se preocupou, de imediato, com seus negócios. Deixou de lado sua comodidade. Gastou de seu dinheiro.Assim é a caridade efetiva, prática, disponível. Não admite omissões nem retardamentos. Acrescente-se que a caridade é universal, pois deve se estender a todos os seres humanos sem racismos, sem exclusões, sem discriminações. Como é impossível estar com todas as pessoas e em todos os lugares, este amor universal pode e deve se manifestar em primeira instância através das preces pelos enfermos, pela conversão dos pecadores, pelos agonizantes, pelas almas que padecem no purgatório. Em segundo lugar, supõe prontidão real, total disponibilidade, para ir ao encontro das necessidades alheias seja de quem for, se assim as circunstâncias o exigirem.Além disto, o perdão das ofensas deve se estender universalmente a todos e abranger todo tipo de injúria. Cristo foi bem claro: “Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai vossos inimigos, fazei o bem a quem vos odeia, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e faz cair a chuva sobre justos e injustos” ( Mt 5,43-45). É possível que pelas estradas da vida se encontrem aqueles que procederam injustamente, com traições, difamações, ódio, perseguições. Ótimo campo para a caridade universal que tudo anistia. Não se pode justificar nunca o erro, mas se desculpa sempre aquele que errou. É deste modo que Deus procede com cada um de nós, pois diz o salmista: “Se conservares a lembrança dos delitos, ó Senhor, quem, Senhor, poderá subsistir?” (Sl 130 (129),3). Esta universalidade da caridade é própria, exclusiva do cristianismo. Os filósofos e demais fundadores de religião não vislumbraram esta extraordinária totalidade do amor, com dimensões tão luminosas.
Fonte: Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
Local:Mariana (MG)
**Fonte: Catolicanet
Arquidiocese de Mariana
(Catolicanet)
A caridade sendo sobrenatural e desinteressada ela tem ainda como nota esplendente ser sincera. Isto significa que o amor deve jorrar do coração e não dos lábios e de obras meramente exteriores.
O mundo vive da comédia, da farsa, da dobrez, do fingimento, da insinceridade, da dissimulação, da perfídia. Não assim o fiel seguidor de Jesus Cristo, pois seus sentimentos correspondem às palavras e gestos.
Para o crente os lábios são sempre intérpretes do coração. Aos Romanos aconselhava Paulo: “O amor seja sem fingimento” (Rm12,9). É que a dileção evangélica brota do íntimo do ser, é uma expansão da própria alma. Consiste a caridade antes de tudo e sobretudo de uma disposição da alma. Se é superficial, epidérmica, artificial não é autêntica e verdadeira. O epígono do Filho de Deus não vive de aparências nem alimenta as usinas da ilusão ludibriando diabolicamente os outros. Para o cristão verdadeiro a sinceridade desabrocha como uma flor, exalando perfume que enleva o próximo e embrandece os ânimos mais impetuosos. É apanágio da caridade ser também efetiva , ou seja, ela deve se traduzir em obras lucipotentes. Na sua primeira carta São João afirmou: “O que tiver bens deste mundo, vendo seu irmão passar necessidade e lhe cerra suas entranhas, como mora nele a caridade de Deus? Filhinhos, amemos não com palavras ou com língua , se com obra e verdade”(I Jo 3,17-18). De fato, apiedar-se dos sofrimentos alheios é bom, mas melhor ainda é aliviá-los. Cumpre, como ensina São Paulo, “chorar com os que choram” (Rm 12,15), e isto já é uma virtude, mas é preciso ir além, secando as fontes de tais lágrimas. A caridade é efetiva, ativa, produtiva, generosa, pródiga, munificente, magnânima, munífica. Não é negativa, é sumamente positiva. Passa dos sentimentos e afetos para atos concretos; do coração para os lábios e destes para as mãos que se fazem dadivosas, obsequiosas, dadoras, mimoseadoras. São Tiago declarou: “Se o irmão ou a irmã está desnudos e carecem de alimento cotidiano e algum de vós lhes diz: “ Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos, porém não lhes dando as coisas necessárias ao corpo, de que lhes aproveitará?” (Tg 2,15-17). Grossa trapaça, grande logro, horrípila tapeação, para não se dizer mofa indigna, escárnio imperdoável, zombaria condenável, motejo satânico. O bom samaritano da parábola de Jesus, agiu: “Acercando-se do que estava caído no caminho e vendo as feridas, derramou nelas o azeite e vinho; o fez montar na sua própria cavalgadura, o levou a uma estalagem, e teve cuidado dele. Pela manhã tirou dois dinheiros, e deu-os ao estalajadeiro, e disse-lhe: “Tem cuidado dele, e quanto gastares a mais eu to satisfarei quando voltar”(Lc 10,34-35). O bom samaritano tirou do que levava consigo. Não receou os assaltantes que haviam massacrado aquela vítima, os quais poderiam estar por perto armando outra emboscada. Não se preocupou, de imediato, com seus negócios. Deixou de lado sua comodidade. Gastou de seu dinheiro.Assim é a caridade efetiva, prática, disponível. Não admite omissões nem retardamentos. Acrescente-se que a caridade é universal, pois deve se estender a todos os seres humanos sem racismos, sem exclusões, sem discriminações. Como é impossível estar com todas as pessoas e em todos os lugares, este amor universal pode e deve se manifestar em primeira instância através das preces pelos enfermos, pela conversão dos pecadores, pelos agonizantes, pelas almas que padecem no purgatório. Em segundo lugar, supõe prontidão real, total disponibilidade, para ir ao encontro das necessidades alheias seja de quem for, se assim as circunstâncias o exigirem.Além disto, o perdão das ofensas deve se estender universalmente a todos e abranger todo tipo de injúria. Cristo foi bem claro: “Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai vossos inimigos, fazei o bem a quem vos odeia, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e faz cair a chuva sobre justos e injustos” ( Mt 5,43-45). É possível que pelas estradas da vida se encontrem aqueles que procederam injustamente, com traições, difamações, ódio, perseguições. Ótimo campo para a caridade universal que tudo anistia. Não se pode justificar nunca o erro, mas se desculpa sempre aquele que errou. É deste modo que Deus procede com cada um de nós, pois diz o salmista: “Se conservares a lembrança dos delitos, ó Senhor, quem, Senhor, poderá subsistir?” (Sl 130 (129),3). Esta universalidade da caridade é própria, exclusiva do cristianismo. Os filósofos e demais fundadores de religião não vislumbraram esta extraordinária totalidade do amor, com dimensões tão luminosas.
Fonte: Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
Local:Mariana (MG)
**Fonte: Catolicanet
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