Publicado por Vborges em 25/12/2009 (3668 leituras)
Sem. Antonio Maldaner, LC
amaldaner@legionaries.org
DEUS NÃO VEM PEDIR CONTAS, SÓ QUER DAR O SEU AMOR, A SUA SALVAÇÃO.
Resumo das leituras:
Missa do dia
1ª leitura (Isaías 52, 7-10): “Ouve-se a voz de teus vigias, eles levantam a voz, estão exultantes de alegria, sabem que verão com os próprios olhos o Senhor voltar a Sião.”
Salmo: Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus!
2ª leitura (Hebreus 1,1-6): “Nestes últimos dias, que são os últimos, nos falou por meio do Filho, a quem Ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também Ele criou o universo”.
Evangelho (João 1, 1-18): “A todos que receberam a Palavra lhes deu a capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome.”
REFLEXÃO:
Um garotinho chamado Jeschiel um dia se precipitou chorando no quarto do avô, o famoso rabino Baruch. As lágrimas rolavam pelo rosto e ele se lamentava dizendo: “O meu amigo me deixou na mão, foi realmente injusto comigo! Estávamos brincando de esconde-esconde e eu estava tão bem escondido que o meu amigo não conseguia me encontrar. Então deixou de me procurar e foi embora. Que jeito de se comportar!”
O melhor dos esconderijos perdeu toda a sua atração, porque o amigo parou de brincar. O rabino acariciou a cabeça do garotinho e também ele deixou cair algumas lágrimas sobre os olhos enquanto dizia: “Sim, é verdadeiramente um modo injusto de se comportar. Veja só: com Deus acontece a mesma coisa. Ele se escondeu e nós não vamos procurá-lo. Pense um pouco: Deus se esconde e nós, homens, nem sequer o buscamos”.
Nesta história, o cristão pode encontrar resumido todo o mistério da Encarnação. Deus, que não tem nem começo nem terá fim, que era, que é e que sempre será, se esconde. Não nos deslumbra com o esplendor da Sua grandeza e não nos submete com a sua Potência para nos ajoelharmos diante Dele. Quer que entre Ele e nós haja um mistério de amor que pressupõe a liberdade.
A origem do Natal remonta a Roma em torno ao ano 330, quando se inaugurou a Basílica de São Pedro e é provável que foi nesta época que se celebrou pela primeira vez. Surgiu como resposta à necessidade de matizar a origem humano-divina de Cristo. A tradição afirmava que Cristo se encarnou no dia 25 de março. Então fixaram a data do nascimento 9 meses depois, ou seja, no dia 25 de dezembro. A segunda razão é que nessa data se celebrava uma festividade pagã, a festa do Sol. Os santos padres pregavam Jesus como o Sol vindo ao mundo e foi assim que puderam substituí-la. Nos nossos dias, há uma forte corrente que quer converter de novo a festa cristã em festa pagã.
A tradição de celebrar três missas no Natal vem da Terra Santa. Celebrava-se o nascimento do Senhor na noite do dia 24 em Belém e, logo depois, todos caminhavam até Jerusalém. Ao chegar lá, ainda na aurora, celebravam a missa na Igreja da Anástasis (significa ressurreição) hoje mais conhecida como o Santo Sepulcro. Por último, celebravam o nascimento na catedral. Esse modo de celebrar o Natal foi tomado em Roma pelo Papa, que celebrava a missa da noite (Missa do Galo) em Santa Maria Maior, que contém o presépio de Nosso Senhor. A celebração da Missa da aurora na Igreja de Santa Anastásia e, por fim, a Missa do dia, celebrada na Catedral de São Pedro. Essa tradição, começada em Jerusalém, quando foi apropriada pelo Papa em Roma, propagou-se pelo mundo inteiro.
Agora, aproximemo-nos deste acontecimento. A forma de penetrar este mistério de Belém é a simplicidade. Na Basílica de Belém da Palestina, há uma única porta de acesso. No tempo das cruzadas, os muçulmanos irrompiam no lugar sagrado com os seus cavalos, combatendo fiéis e sacerdotes. Por isso, a entrada principal foi coberta com um muro ficando só uma portinha de um metro. Ainda hoje, esta porta é o único acesso à Basílica do Nascimento do Senhor e só é possível entrar se encurvando. Deus ama a simplicidade, pois Ele mesmo se fez um simples bebê, indefeso.
Deus não faz diferença de pessoas. Escolhe as pessoas mais santas para cuidar Dele, convida os reis a adorá-Lo - ainda que um deles tenha procurado matá-Lo - e anunciou a Boa-Nova aos simples pastores. Todos estamos incluídos, ricos e pobres, sábios e ignorantes, santos e pecadores. Também hoje Ele nos permite tocar este mistério, porque Ele quer visitar os nossos lares, os nossos corações. Saiamos para recebê-Lo, para poder assim sermos chamados Filhos de Deus (Evangelho).
O nosso Deus não é “o Deus dos tronos e relâmpagos, do temor”, o nosso Deus é, pelo contrário, um Deus que ama, que se deixa abraçar, receber carinho. Ele sente necessidade do nosso amor, sente necessidade da nossa fidelidade. O nosso coração se enche de gozo ao contemplá-Lo (1ª leitura). A linguagem de Deus assume, deste modo, uma nova forma de se comunicar com os homens (2ª leitura).
“Menino Jesus, visitai o meu lar. Aqui está o meu coração, não é digno de vos receber mas se esforça. Aceitai este esforço e que vos seja agradável o meu oferecimento”.
“Jesus, aceitai a minha humilde morada”.
O que quero oferecer ao Menino Jesus que vem me visitar neste Natal?
amaldaner@legionaries.org
DEUS NÃO VEM PEDIR CONTAS, SÓ QUER DAR O SEU AMOR, A SUA SALVAÇÃO.
"Aqueles que veem a luz estão na luz. Aqueles que veem Deus estão em Deus e recebem a Sua claridade".
São Policarpo
Resumo das leituras:
Missa do dia
1ª leitura (Isaías 52, 7-10): “Ouve-se a voz de teus vigias, eles levantam a voz, estão exultantes de alegria, sabem que verão com os próprios olhos o Senhor voltar a Sião.”
Salmo: Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus!
2ª leitura (Hebreus 1,1-6): “Nestes últimos dias, que são os últimos, nos falou por meio do Filho, a quem Ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também Ele criou o universo”.
Evangelho (João 1, 1-18): “A todos que receberam a Palavra lhes deu a capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome.”
REFLEXÃO:
Um garotinho chamado Jeschiel um dia se precipitou chorando no quarto do avô, o famoso rabino Baruch. As lágrimas rolavam pelo rosto e ele se lamentava dizendo: “O meu amigo me deixou na mão, foi realmente injusto comigo! Estávamos brincando de esconde-esconde e eu estava tão bem escondido que o meu amigo não conseguia me encontrar. Então deixou de me procurar e foi embora. Que jeito de se comportar!”
O melhor dos esconderijos perdeu toda a sua atração, porque o amigo parou de brincar. O rabino acariciou a cabeça do garotinho e também ele deixou cair algumas lágrimas sobre os olhos enquanto dizia: “Sim, é verdadeiramente um modo injusto de se comportar. Veja só: com Deus acontece a mesma coisa. Ele se escondeu e nós não vamos procurá-lo. Pense um pouco: Deus se esconde e nós, homens, nem sequer o buscamos”.
Nesta história, o cristão pode encontrar resumido todo o mistério da Encarnação. Deus, que não tem nem começo nem terá fim, que era, que é e que sempre será, se esconde. Não nos deslumbra com o esplendor da Sua grandeza e não nos submete com a sua Potência para nos ajoelharmos diante Dele. Quer que entre Ele e nós haja um mistério de amor que pressupõe a liberdade.
A origem do Natal remonta a Roma em torno ao ano 330, quando se inaugurou a Basílica de São Pedro e é provável que foi nesta época que se celebrou pela primeira vez. Surgiu como resposta à necessidade de matizar a origem humano-divina de Cristo. A tradição afirmava que Cristo se encarnou no dia 25 de março. Então fixaram a data do nascimento 9 meses depois, ou seja, no dia 25 de dezembro. A segunda razão é que nessa data se celebrava uma festividade pagã, a festa do Sol. Os santos padres pregavam Jesus como o Sol vindo ao mundo e foi assim que puderam substituí-la. Nos nossos dias, há uma forte corrente que quer converter de novo a festa cristã em festa pagã.
A tradição de celebrar três missas no Natal vem da Terra Santa. Celebrava-se o nascimento do Senhor na noite do dia 24 em Belém e, logo depois, todos caminhavam até Jerusalém. Ao chegar lá, ainda na aurora, celebravam a missa na Igreja da Anástasis (significa ressurreição) hoje mais conhecida como o Santo Sepulcro. Por último, celebravam o nascimento na catedral. Esse modo de celebrar o Natal foi tomado em Roma pelo Papa, que celebrava a missa da noite (Missa do Galo) em Santa Maria Maior, que contém o presépio de Nosso Senhor. A celebração da Missa da aurora na Igreja de Santa Anastásia e, por fim, a Missa do dia, celebrada na Catedral de São Pedro. Essa tradição, começada em Jerusalém, quando foi apropriada pelo Papa em Roma, propagou-se pelo mundo inteiro.
Agora, aproximemo-nos deste acontecimento. A forma de penetrar este mistério de Belém é a simplicidade. Na Basílica de Belém da Palestina, há uma única porta de acesso. No tempo das cruzadas, os muçulmanos irrompiam no lugar sagrado com os seus cavalos, combatendo fiéis e sacerdotes. Por isso, a entrada principal foi coberta com um muro ficando só uma portinha de um metro. Ainda hoje, esta porta é o único acesso à Basílica do Nascimento do Senhor e só é possível entrar se encurvando. Deus ama a simplicidade, pois Ele mesmo se fez um simples bebê, indefeso.
Deus não faz diferença de pessoas. Escolhe as pessoas mais santas para cuidar Dele, convida os reis a adorá-Lo - ainda que um deles tenha procurado matá-Lo - e anunciou a Boa-Nova aos simples pastores. Todos estamos incluídos, ricos e pobres, sábios e ignorantes, santos e pecadores. Também hoje Ele nos permite tocar este mistério, porque Ele quer visitar os nossos lares, os nossos corações. Saiamos para recebê-Lo, para poder assim sermos chamados Filhos de Deus (Evangelho).
O nosso Deus não é “o Deus dos tronos e relâmpagos, do temor”, o nosso Deus é, pelo contrário, um Deus que ama, que se deixa abraçar, receber carinho. Ele sente necessidade do nosso amor, sente necessidade da nossa fidelidade. O nosso coração se enche de gozo ao contemplá-Lo (1ª leitura). A linguagem de Deus assume, deste modo, uma nova forma de se comunicar com os homens (2ª leitura).
“Menino Jesus, visitai o meu lar. Aqui está o meu coração, não é digno de vos receber mas se esforça. Aceitai este esforço e que vos seja agradável o meu oferecimento”.
“Jesus, aceitai a minha humilde morada”.
O que quero oferecer ao Menino Jesus que vem me visitar neste Natal?
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