Publicado por Vborges em 10/2/2010 (364 leituras)
Sem. Fábio Marcos Guedes, LC
fguedes@legionaries.org
"O que você quer ser quando crescer?" A esta pergunta todos tiveram que responder algum dia, em diversos momentos da vida e de diversas maneiras.
Quando somos criança desejamos ser de tudo: astronauta, jogador de futebol, piloto de Fórmula-1, ator, etc. Porém, à medida que crescemos, a questão muda. Pensamos em terminar a escola, tirar um título na universidade, ganhar muito dinheiro, formar uma família, divertir-nos...
O que existe de comum em tudo isso é que todos nós, ao final de contas, queremos ser felizes. A virtude que traduz esse desejo de felicidade, que tem tanto a criança como o adulto, é a esperança.
O Catecismo da Igreja Católica se expressa nestes termos ao falar da esperança: “É a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos Céus e a vida eterna como nossa Felicidade, pondo toda nossa confiança nas promessas de Cristo” (nº 1816). “Ela responde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo o homem” (nº 1817).
Sendo assim, a esperança não consiste em algo passageiro, muito menos em algo que, ao ser alcançado, não nos satisfaz totalmente. Muitas vezes, se tem como “esperança” o dinheiro, o prazer, a fama, a beleza corporal; coisas tão efêmeras que quando obtidas provocam um vazio maior, levando, inclusive, pessoas à depressão, à angustia e à desesperação. Por quê? Porque mesmo que se obtenham todos os bens materiais do mundo, estes não serão capazes de nos satisfazer no mais profundo do nosso ser.
Portanto, a esperança não consiste em algo, mas em “Alguém”: Deus. Assim o quis recordar o Santo Padre Bento XVI na sua encíclica Spe Salvi: “A verdadeira grande esperança só pode ser Deus, que abraça o universo e nos pode propor e dar aquilo que, sozinhos, não podemos conseguir. (...) Deus é o seu fundamento, não um deus qualquer, mas aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até o fim: cada indivíduo e a humanidade no seu conjunto” (nº 31).
A esperança, por conseguinte, está ancorada n’Aquele que dá sentido à nossa vida e é o penhor daquela Felicidade que tanto esperamos. Daí, a necessidade que temos de nos encontrarmos com Cristo, fonte da fé e de toda esperança.
A esperança vista através desta ótica, amplia os nossos horizontes e nos faz viver sabendo que temos um futuro que não acabará num vazio. Leva-nos a ter uma atitude mais otimista e positiva da vida, que nos faz sobrepassar e, inclusive, levar com agrado tanto os êxitos e as alegrias, como as dificuldades e sofrimentos de cada dia.
Para nos encontrarmos com Cristo e cultivarmos no nosso interior essa virtude, são de grande importância a oração, as diversas ações de cada dia e a abnegação.
A oração consiste no diálogo com Deus. Nela, sempre encontraremos abrigo solícito e o conforto esperado. “Esperei no Senhor com toda confiança, e Ele me atendeu. Ouviu o meu clamor” (Sl 39, 2).
As ações de cada dia devem ser uma manifestação de que a esperança, em sentido cristão, é ativa. Significa lutar para alcançar o que tanto se deseja, não com presunção ou autossuficiência, mas com a colaboração de Deus, que dá o dom prometido.
O sofrimento, humanamente falando, é difícil de compreender. Devemos fazer tudo o que for possível para diminuí-lo, porém, sempre será uma realidade. Temos, portanto, que aceitá-lo com amor, unindo-nos ao sofrimento eminente de Cristo na cruz e com Ele esperar a glória final.
Chegando a este ponto, é clara a resposta à pergunta do início. É preciso esperar no Senhor, aceitando aquilo que Ele quiser. Só Nele, encontramos a certeza daquilo que realmente queremos ser, só Nele achamos a verdadeira felicidade que tanto esperamos. Pois “nós fomos salvos na esperança” (Rm 8, 24) d’Aquele para o qual tudo é possível.
fguedes@legionaries.org
"O que você quer ser quando crescer?" A esta pergunta todos tiveram que responder algum dia, em diversos momentos da vida e de diversas maneiras.
Quando somos criança desejamos ser de tudo: astronauta, jogador de futebol, piloto de Fórmula-1, ator, etc. Porém, à medida que crescemos, a questão muda. Pensamos em terminar a escola, tirar um título na universidade, ganhar muito dinheiro, formar uma família, divertir-nos...
O que existe de comum em tudo isso é que todos nós, ao final de contas, queremos ser felizes. A virtude que traduz esse desejo de felicidade, que tem tanto a criança como o adulto, é a esperança.
O Catecismo da Igreja Católica se expressa nestes termos ao falar da esperança: “É a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos Céus e a vida eterna como nossa Felicidade, pondo toda nossa confiança nas promessas de Cristo” (nº 1816). “Ela responde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo o homem” (nº 1817).
Sendo assim, a esperança não consiste em algo passageiro, muito menos em algo que, ao ser alcançado, não nos satisfaz totalmente. Muitas vezes, se tem como “esperança” o dinheiro, o prazer, a fama, a beleza corporal; coisas tão efêmeras que quando obtidas provocam um vazio maior, levando, inclusive, pessoas à depressão, à angustia e à desesperação. Por quê? Porque mesmo que se obtenham todos os bens materiais do mundo, estes não serão capazes de nos satisfazer no mais profundo do nosso ser.
Portanto, a esperança não consiste em algo, mas em “Alguém”: Deus. Assim o quis recordar o Santo Padre Bento XVI na sua encíclica Spe Salvi: “A verdadeira grande esperança só pode ser Deus, que abraça o universo e nos pode propor e dar aquilo que, sozinhos, não podemos conseguir. (...) Deus é o seu fundamento, não um deus qualquer, mas aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até o fim: cada indivíduo e a humanidade no seu conjunto” (nº 31).
A esperança, por conseguinte, está ancorada n’Aquele que dá sentido à nossa vida e é o penhor daquela Felicidade que tanto esperamos. Daí, a necessidade que temos de nos encontrarmos com Cristo, fonte da fé e de toda esperança.
A esperança vista através desta ótica, amplia os nossos horizontes e nos faz viver sabendo que temos um futuro que não acabará num vazio. Leva-nos a ter uma atitude mais otimista e positiva da vida, que nos faz sobrepassar e, inclusive, levar com agrado tanto os êxitos e as alegrias, como as dificuldades e sofrimentos de cada dia.
Para nos encontrarmos com Cristo e cultivarmos no nosso interior essa virtude, são de grande importância a oração, as diversas ações de cada dia e a abnegação.
A oração consiste no diálogo com Deus. Nela, sempre encontraremos abrigo solícito e o conforto esperado. “Esperei no Senhor com toda confiança, e Ele me atendeu. Ouviu o meu clamor” (Sl 39, 2).
As ações de cada dia devem ser uma manifestação de que a esperança, em sentido cristão, é ativa. Significa lutar para alcançar o que tanto se deseja, não com presunção ou autossuficiência, mas com a colaboração de Deus, que dá o dom prometido.
O sofrimento, humanamente falando, é difícil de compreender. Devemos fazer tudo o que for possível para diminuí-lo, porém, sempre será uma realidade. Temos, portanto, que aceitá-lo com amor, unindo-nos ao sofrimento eminente de Cristo na cruz e com Ele esperar a glória final.
Chegando a este ponto, é clara a resposta à pergunta do início. É preciso esperar no Senhor, aceitando aquilo que Ele quiser. Só Nele, encontramos a certeza daquilo que realmente queremos ser, só Nele achamos a verdadeira felicidade que tanto esperamos. Pois “nós fomos salvos na esperança” (Rm 8, 24) d’Aquele para o qual tudo é possível.
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