Publicado por Marcia em 08/5/2010 (1847 leituras)
Dra. Marinei Nogueira Rubez
Médica Dermatologista - Cruzeiro/SP
Em mais de vinte anos de vivência na medicina, já presenciei inúmeras cenas e situações que me marcaram. Porém, se eu tivesse que escolher a cena que mais me marcou como médica, escolheria a que mais me marcou como mãe. Foi em uma visita a uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), local onde geralmente os pacientes estão em estado grave, necessitando de cuidados o tempo todo. Foi neste ambiente frio, cheio de aparelhos e medicamentos, que vivenciei a importância da maternidade. Não se tratava de uma paciente grávida. Quem me chamou a atenção foi um velho homem, aparentando bem mais de oitenta anos, deitado em posição fetal, que gritava em meio ao seu delírio:
- Mamãe! Mamãe! Ah, minha mãe...
Para uma pessoa no fim da vida, doente, com a consciência comprometida, o que lhe restara era chamar por sua mãe. De toda uma vida o que lhe restou foi clamar por sua mãe; e era um clamor que vinha do seu coração, da sua alma. Somente quem poderia acolher sua dor, sua solidão, naquele momento, era sua mãe! Todos os sons e ruídos da UTI desapareceram frente ao chamado choroso daquele homem que, no fim da vida, insistia em resgatar a mais importante de suas memórias: a sua mãe.
Naquele momento, a médica deu lugar à mãe e me dei conta do quanto importante é ser mãe... Quando Deus escolheu a mulher para acolher a vida em seu ventre, deu-lhe a responsabilidade de gerar seres humanos que são a imagem d`Ele. E para isto lhe deu uma infinita capacidade de amar, renunciar e esperar. Amar, sem impor condições. Renunciar a tudo! Até a si mesma, pelos filhos, e esperar com muita paciência todas as condições que a vida lhe apresentar. A começar pela espera de nove meses para que a vida em seu corpo se torne vida para o mundo.
Durante a gestação a mulher é a perfeita moradia. É no corpo da mulher que Deus fez a primeira morada de todo ser humano. E é neste corpo sagrado que abriga a vida, que a mulher experimenta a plenitude de ser mulher... Quando seu ventre cresce, seu corpo ganha novas formas, as mamas se preparam para alimentar sua cria, todo o ser feminino se enche de glória para esperar o dia de dar a vida a um novo ser... E depois, fora do nosso corpo, acompanhamos toda uma trajetória.
Somos o porto seguro
Para passos cambaleantes...
Para abraços aflitos...
Para choros carentes...
Por mais que os homens cresçam e envelheçam, somos nós, as mães, que ficamos em suas memórias. Aquele velho homem, me mostrou o quanto importante é o papel da mãe para todo ser humano. Fez-me também questionar porque tantas meninas na idade de serem filhas e não mães, violentam seus corpos. Maquiadas por uma falsa liberdade, colocam em risco suas e outras vidas inocentes, com a desculpa de serem modernas.
O corpo sagrado é violado e, muitas vezes, jovens, quase crianças, tornam-se mães, perdendo a oportunidade de vivenciarem com plenitude o divino mistério da vida. Depois daquele dia na UTI, acrescentei mais uma responsabilidade ao meu papel de mãe. Pode ser que um dia, quando a gente pensa que os filhos não precisam mais de mãe, que a gente seja a última lembrança na vida deles. E quero ser não só a última lembrança, mas a melhor!
Texto disponível em http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=1651309&tid=5436821163809990664&na=4 e http://www.slideshare.net/Alekrom/a-maternidade-em-minhavida
Médica Dermatologista - Cruzeiro/SP
Em mais de vinte anos de vivência na medicina, já presenciei inúmeras cenas e situações que me marcaram. Porém, se eu tivesse que escolher a cena que mais me marcou como médica, escolheria a que mais me marcou como mãe. Foi em uma visita a uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), local onde geralmente os pacientes estão em estado grave, necessitando de cuidados o tempo todo. Foi neste ambiente frio, cheio de aparelhos e medicamentos, que vivenciei a importância da maternidade. Não se tratava de uma paciente grávida. Quem me chamou a atenção foi um velho homem, aparentando bem mais de oitenta anos, deitado em posição fetal, que gritava em meio ao seu delírio:
- Mamãe! Mamãe! Ah, minha mãe...
Para uma pessoa no fim da vida, doente, com a consciência comprometida, o que lhe restara era chamar por sua mãe. De toda uma vida o que lhe restou foi clamar por sua mãe; e era um clamor que vinha do seu coração, da sua alma. Somente quem poderia acolher sua dor, sua solidão, naquele momento, era sua mãe! Todos os sons e ruídos da UTI desapareceram frente ao chamado choroso daquele homem que, no fim da vida, insistia em resgatar a mais importante de suas memórias: a sua mãe.
Naquele momento, a médica deu lugar à mãe e me dei conta do quanto importante é ser mãe... Quando Deus escolheu a mulher para acolher a vida em seu ventre, deu-lhe a responsabilidade de gerar seres humanos que são a imagem d`Ele. E para isto lhe deu uma infinita capacidade de amar, renunciar e esperar. Amar, sem impor condições. Renunciar a tudo! Até a si mesma, pelos filhos, e esperar com muita paciência todas as condições que a vida lhe apresentar. A começar pela espera de nove meses para que a vida em seu corpo se torne vida para o mundo.
Durante a gestação a mulher é a perfeita moradia. É no corpo da mulher que Deus fez a primeira morada de todo ser humano. E é neste corpo sagrado que abriga a vida, que a mulher experimenta a plenitude de ser mulher... Quando seu ventre cresce, seu corpo ganha novas formas, as mamas se preparam para alimentar sua cria, todo o ser feminino se enche de glória para esperar o dia de dar a vida a um novo ser... E depois, fora do nosso corpo, acompanhamos toda uma trajetória.
Somos o porto seguro
Para passos cambaleantes...
Para abraços aflitos...
Para choros carentes...
Por mais que os homens cresçam e envelheçam, somos nós, as mães, que ficamos em suas memórias. Aquele velho homem, me mostrou o quanto importante é o papel da mãe para todo ser humano. Fez-me também questionar porque tantas meninas na idade de serem filhas e não mães, violentam seus corpos. Maquiadas por uma falsa liberdade, colocam em risco suas e outras vidas inocentes, com a desculpa de serem modernas.
O corpo sagrado é violado e, muitas vezes, jovens, quase crianças, tornam-se mães, perdendo a oportunidade de vivenciarem com plenitude o divino mistério da vida. Depois daquele dia na UTI, acrescentei mais uma responsabilidade ao meu papel de mãe. Pode ser que um dia, quando a gente pensa que os filhos não precisam mais de mãe, que a gente seja a última lembrança na vida deles. E quero ser não só a última lembrança, mas a melhor!
Texto disponível em http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=1651309&tid=5436821163809990664&na=4 e http://www.slideshare.net/Alekrom/a-maternidade-em-minhavida
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