Publicado por Vborges em 12/3/2010 (1244 leituras)
Geovan Carlos Kuba, LC
gkuba@legionaries.org
A Mensagem do Papa para a Quaresma de 2010 nos fala sobre um tema difícil de encontrar num mundo como o de hoje: A Justiça.
Podemos encontrar uma sociedade, uma pessoa que viva a justiça hoje? O Santo Padre procura enfatizar esta pergunta e colocar em evidência que a Justiça praticada pela fé em Deus e a solidariedade pelas outras pessoas é o caminho mais seguro que tem aquele que quer viver uma vida efetivamente Justa.
Partindo da afirmação Paulina, o Santo Padre nos propõe: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr. Rom 3,21 – 22 ).
O Papa se detém em primeiro lugar sobre o significado da palavra justiça que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu”. Porém, aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido pela lei humana. O Santo Padre nos explica que a justiça humana não consegue restituir ao ser humano tudo o que é seu. O homem, mais do que de pão, necessita de Deus. Muitas vezes, a justiça humana em vez de nos ajudar a chegar até Deus nos afasta mais Dele. Numa de suas frases Bento XVI nos diz que: “Poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado á sua imagem e semelhança. São certamente úteis e necessários os bens materiais”, pois, como ele mesmo nos faz menção, também Jesus os necessitou.
Comenta o Evangelho de São Marcos, o qual fala que não é o que vem de fora do homem que o faz impuro, senão o que vem do seu coração. (cfr. Mc 7,14-15.20-21) O Papa nos diz que “de igual maneira a injustiça, fruto do mal, não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem.” Ao entrar em contato com uma força de gravidade estranha que o leva a pensar somente em si mesmo, a pensar ser superior aos outros, o homem passa a viver uma vida egocêntrica, consequência do pecado original. Com a sedução de satanás, a pessoa está em perigo de cair nas garras da ansiedade, do querer fazer tudo sozinho e não confiar no outro, experimentando como resultado uma sensação de inquietação e de incerteza.
A estas reflexões o Papa se pergunta: “Como pode o homem libertar-se deste impulso egoísta e abrir-se ao amor?”
A nossa fé em Deus levanta do pó ao indigente, como diz o livro dos Salmos. (cfr. Sl 113,7) O Santo Padre refletindo na palavra em hebraico que indica a virtude da justiça, sedaqah, nos diz que a virtude “significa, de um lado, a aceitação plena da vontade do Deus de Israel; do outro, a igualdade em relação ao próximo.” (cfr. Ex 29,12-17) Esses dois significados estão ligados. Deus teve misericórdia de nossas culpas e nos tirou da miséria, e o dar ao pobre é retribuir essa piedade de Deus para com cada um de nós.
“Deus está atento ao grito do pobre e em resposta pede para ser ouvido: pede justiça para o pobre.” (cfr. Ecl. 4,4-5.8-9) Mas, para isso é necessário que tenhamos uma mente clara de que também nós necessitamos de Deus para sermos socorridos quando temos dificuldades. Não somos autossuficientes, necessitamos ser humildes e reconhecer nossas misérias. Com essa consciência, seremos capazes de viver a justiça com Deus e com os outros com um maior amor.
Agora, o Papa nos faz esta interrogação: “Existe, portanto para o homem, esperança de justiça?”
Bento XVI nos diz: “O anúncio cristão responde positivamente à sede de justiça do homem.” O apóstolo Paulo afirma em sua Carta aos Romanos que todos os homens “pecaram e estão privados da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, por meio da redenção que se realiza em Jesus Cristo, que Deus apresentou como vitima de propiciação pelo Seu próprio sangue, mediante a fé” (Rom 3,21-25).
Qual é, portanto a justiça de Cristo? A isso o Papa responde que “é antes de qualquer coisa a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura a si mesmo e os outros”. Existe, então, justiça lá onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a “bênção” que corresponde ao justo? Vemos no Evangelho que Jesus morreu na Cruz para apagar as nossas culpas. Desta maneira, não somos nós que pagamos com os nossos pecados, é Cristo quem o faz por cada um de nós. É aqui onde se manifesta a justiça divina: Deus pagou por nós os nossos pecados e o fez através do seu Filho. Que temos de bom para merecer tão grande resgate?
“Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da autossuficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade”. Este é o convite que o Papa nos faz nesta Quaresma. Somos movidos como Cristãos a contribuir para a formação de sociedades justas. Todos devem receber o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem. É aqui onde a justiça é vivificada pelo amor.
Cristo não morreu na Cruz em vão. Ele quis mostrar a todos os homens que se Ele, sendo Deus, é justo para conosco, também nós poderemos ser com cada um dos nossos irmãos.
gkuba@legionaries.org
A Mensagem do Papa para a Quaresma de 2010 nos fala sobre um tema difícil de encontrar num mundo como o de hoje: A Justiça.
Podemos encontrar uma sociedade, uma pessoa que viva a justiça hoje? O Santo Padre procura enfatizar esta pergunta e colocar em evidência que a Justiça praticada pela fé em Deus e a solidariedade pelas outras pessoas é o caminho mais seguro que tem aquele que quer viver uma vida efetivamente Justa.
Partindo da afirmação Paulina, o Santo Padre nos propõe: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr. Rom 3,21 – 22 ).
O Papa se detém em primeiro lugar sobre o significado da palavra justiça que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu”. Porém, aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido pela lei humana. O Santo Padre nos explica que a justiça humana não consegue restituir ao ser humano tudo o que é seu. O homem, mais do que de pão, necessita de Deus. Muitas vezes, a justiça humana em vez de nos ajudar a chegar até Deus nos afasta mais Dele. Numa de suas frases Bento XVI nos diz que: “Poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado á sua imagem e semelhança. São certamente úteis e necessários os bens materiais”, pois, como ele mesmo nos faz menção, também Jesus os necessitou.
Comenta o Evangelho de São Marcos, o qual fala que não é o que vem de fora do homem que o faz impuro, senão o que vem do seu coração. (cfr. Mc 7,14-15.20-21) O Papa nos diz que “de igual maneira a injustiça, fruto do mal, não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem.” Ao entrar em contato com uma força de gravidade estranha que o leva a pensar somente em si mesmo, a pensar ser superior aos outros, o homem passa a viver uma vida egocêntrica, consequência do pecado original. Com a sedução de satanás, a pessoa está em perigo de cair nas garras da ansiedade, do querer fazer tudo sozinho e não confiar no outro, experimentando como resultado uma sensação de inquietação e de incerteza.
A estas reflexões o Papa se pergunta: “Como pode o homem libertar-se deste impulso egoísta e abrir-se ao amor?”
A nossa fé em Deus levanta do pó ao indigente, como diz o livro dos Salmos. (cfr. Sl 113,7) O Santo Padre refletindo na palavra em hebraico que indica a virtude da justiça, sedaqah, nos diz que a virtude “significa, de um lado, a aceitação plena da vontade do Deus de Israel; do outro, a igualdade em relação ao próximo.” (cfr. Ex 29,12-17) Esses dois significados estão ligados. Deus teve misericórdia de nossas culpas e nos tirou da miséria, e o dar ao pobre é retribuir essa piedade de Deus para com cada um de nós.
“Deus está atento ao grito do pobre e em resposta pede para ser ouvido: pede justiça para o pobre.” (cfr. Ecl. 4,4-5.8-9) Mas, para isso é necessário que tenhamos uma mente clara de que também nós necessitamos de Deus para sermos socorridos quando temos dificuldades. Não somos autossuficientes, necessitamos ser humildes e reconhecer nossas misérias. Com essa consciência, seremos capazes de viver a justiça com Deus e com os outros com um maior amor.
Agora, o Papa nos faz esta interrogação: “Existe, portanto para o homem, esperança de justiça?”
Bento XVI nos diz: “O anúncio cristão responde positivamente à sede de justiça do homem.” O apóstolo Paulo afirma em sua Carta aos Romanos que todos os homens “pecaram e estão privados da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, por meio da redenção que se realiza em Jesus Cristo, que Deus apresentou como vitima de propiciação pelo Seu próprio sangue, mediante a fé” (Rom 3,21-25).
Qual é, portanto a justiça de Cristo? A isso o Papa responde que “é antes de qualquer coisa a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura a si mesmo e os outros”. Existe, então, justiça lá onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a “bênção” que corresponde ao justo? Vemos no Evangelho que Jesus morreu na Cruz para apagar as nossas culpas. Desta maneira, não somos nós que pagamos com os nossos pecados, é Cristo quem o faz por cada um de nós. É aqui onde se manifesta a justiça divina: Deus pagou por nós os nossos pecados e o fez através do seu Filho. Que temos de bom para merecer tão grande resgate?
“Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da autossuficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade”. Este é o convite que o Papa nos faz nesta Quaresma. Somos movidos como Cristãos a contribuir para a formação de sociedades justas. Todos devem receber o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem. É aqui onde a justiça é vivificada pelo amor.
Cristo não morreu na Cruz em vão. Ele quis mostrar a todos os homens que se Ele, sendo Deus, é justo para conosco, também nós poderemos ser com cada um dos nossos irmãos.
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