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Esperança e Alegria na Páscoa
Publicado por Tht em 30/3/2010 (1560 leituras)
Esperança e Alegria na Páscoa
Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro

Neste final de semana estaremos chegando ao grande momento do ano litúrgico e ao centro de nossa fé: a Páscoa, celebrada durante o tríduo e que se perpetua na vida e na caminhada da Igreja que a atualiza a cada Eucaristia. A Igreja, que nos convidou durante 40 dias a um tempo de conversão e penitência, agora nos devolve os vários sinais renovados que nos fazem experimentar que também a nossa vida se renova e dá um passo a mais na caminhada para que de Páscoa em Páscoa cheguemos à Páscoa definitiva.

Na celebração do Tríduo Pascal, a Igreja revive os momentos mais significativos da vida de seu divino fundador, Jesus Cristo. O mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo condensa a grande mensagem de Deus à humanidade inteira. Esse mistério, na verdade, deu novo significado às coisas humanas. O sofrimento e a morte, dos quais ninguém fica livre neste mundo, recebem uma potentíssima luz que é jorrada do mistério que celebramos no Tríduo Pascal. O sofrimento e a morte, quando associados ao mistério do Filho de Deus, adquirem novo significado. Deixam definitivamente de ser interpretados como sinal de maldição. O Filho de Deus os assumiu. Aliás, Jesus assumiu tudo o que é próprio da condição humana com exceção do pecado, e, atravessando o vale sombrio, que também integra a nossa condição, chegou às verdes campinas, aos prados eternos e às fontes borbulhantes. Associados a Cristo pelo batismo, nossa grande meta são as pastagens eternas, para as quais nos guia o Bom Pastor. A dor, o sofrimento e a morte já foram vencidos em Cristo. Ora, na medida em que Cristo passa a viver em nós, também nos tornamos capazes de vencê-los. A última palavra de Deus a respeito do seu Cristo foi a vida. E a sorte de Cristo é a sorte de todos os que se lhe associam pela fé em sua Palavra, pelos sacramentos que comunicam a graça e pela caridade que nos une a Deus e aos irmãos.

A Quaresma se conclui na Quinta-feira Santa de manhã, na celebração dos Santos Óleos e com a renovação das promessas sacerdotais, eco das antigas celebrações de reconciliação dos cristãos que, durante a Quaresma, tinham feito a penitência devida, e agora retomavam a inserção na Igreja. Os óleos bentos e consagrados serão distribuídos pelas Paróquias como sinal de unidade e comunhão. À tarde começamos a grande celebração da Páscoa com os seus três momentos.

Na Quinta-feira Santa, celebramos a instituição da Eucaristia, do sacerdócio ministerial e o mandamento do amor. A celebração da Eucaristia, instituída por Jesus na última ceia, perpetua o sacrifício salvífico do Senhor, garante a sua presença constante à Igreja, é o alimento da vida eterna e evidencia o amor com o qual o Senhor Jesus amou os homens até o fim. O sacramento da Eucaristia é pura graça que, ao atingir os homens, faz-se capaz de transformá-los na medida da abertura e da boa disposição de quem o recebe. A Igreja ensina que, todas as vezes que celebramos este grande sacramento, torna-se presente a obra da Redenção. Só o amor pôde abraçar a Cruz e transformá-la em instrumento de salvação. Só o amor de Jesus foi capaz de instituir a Eucaristia para perpetuar a sua entrega ao Pai e aos homens e dar à Igreja a possibilidade de participar de seu gesto de caridade. A cerimônia do Lava-Pés, realizada na Missa da Ceia do Senhor, retrata o episódio narrado por São João, episódio motivado pelo mesmo amor que levou Jesus ao calvário. Ninguém a não ser Jesus poderia ordenar com mais autoridade: Amai-vos como eu vos amei.

A Sexta-feira Santa celebra o grande dia da entrega, que havia sido sacramentalmente antecipada na celebração da Eucaristia, no contexto da última ceia. Santo Tomás de Aquino recorda-nos de que, na figura do Crucificado, não falta nenhuma virtude cristã. Em Jesus, despojado de toda honra, glória e prazer mundanos, encontramos o exemplo da humildade, do amor a Deus e aos homens, da abnegação, do perdão, da paciência, do amor à verdade, do abandono irrestrito aos desígnios de Deus, etc. Neste dia, é muito frutuoso, além de participar da ação litúrgica, meditar sobre a paixão e morte de Cristo e sobre as virtudes que o levaram a suportar as ignomínias. Tivessem os homens a peito as virtudes de Jesus, a face do mundo estaria transformada. É um dia de contemplação do grande mistério da cruz, que se renova a cada Eucaristia, e que as tradições também adornaram com várias outras celebrações devotas e apresentações.

No Sábado Santo, na noite do Sábado para o Domingo, o Povo de Deus celebra a Vigília Pascal e rompe os “aleluias” festivos da ressurreição com Missa solene. É o grande momento de anunciarmos que a Vida venceu a morte e que a Luz vence as trevas. É também o momento de todo o povo de Deus renovar as promessas batismais: viver o batismo hoje, eis a grande conclusão da Páscoa!

O Senhor ressurgiu no Domingo, quando o sol ainda não se tinha levantado. A proclamação da Páscoa é cantada e a Igreja inteira se regozija com o seu Senhor, que, vencedor do pecado e da morte, tem a vida para sempre e o poder de comunicá-la a quem nele confia. O vale tenebroso não pôde segurar o Senhor da Luz; as trevas da morte não agarraram o Autor da Vida; o sofrimento não desfigurou para sempre, nem diminuiu a Beleza tão antiga e sempre nova. A alegria cristã repousa em seu fundamento inabalável, isto é, na ressurreição do Senhor Jesus Cristo.

O sentido da vida humana esclarece-se à luz do mistério da Páscoa de Jesus: paixão, morte e ressurreição. Associados ao Filho de Deus, nossas maiores mazelas podem ser transformadas, e aquele que tinha a sua vida por perdida poderá recuperá-la renovada. Jesus, entre outras coisas, ensinou-nos que a entrega sem reservas aos desígnios de Deus é fonte de salvação e de vida verdadeira. E isso ele nos ensinou principalmente com a própria vida.

Com isso iniciamos oito dias de festa, chamados de Oitava da Páscoa, e o Tempo Pascal que se estende até o Domingo de Pentecostes. Enfim, nós iniciamos o oitavo dia, o dia sem fim! A todos os nossos queridos amigos diocesanos e a você que nos lê neste momento, que as alegrias pascais estejam sempre em seus corações e suas vidas! Neste tempo de tantas palavras, tantos pecados, tantas acusações, a Igreja proclama que a Vida continua sendo a última Palavra e o grande anúncio: Cristo Ressuscitou verdadeiramente, Aleluia! Feliz Páscoa a todos!


Fonte: Arquidiocese do Rio
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