Publicado por Vborges em 22/3/2011 (2044 leituras)
Antonio Maldaner, LC
amaldaner@legionaries.org
As palavras movem, mas o exemplo arrasta. Contam que um bispo fora chamado à audiência privada com o papa. Antes de chegar, vê um mendigo cujo rosto lhe era familiar, se tratava de um antigo companheiro de seminário. O seu coração se enche de tristeza, até o ponto de referir o fato ao mesmo Santo Padre, que pede ao bispo que convide o mendigo para jantar com ele.
O jantar estava pronto, os convidados chegam e após a cordial saudação do Santo Padre, foram convidados à sala de almoço. Inesperadamente, o Santo Padre se ajoelha e se dirige ao mendigo: "Poderia me confessar?" Após este encontro, o mendigo pediu ser readmitido ao seu estado sacerdotal.
A confissão é o pão nosso de todos, ricos e pobres, grandes e pequenos pecadores. Todos precisam da confissão, até mesmo os mais santos, porque uma característica essencial da santidade é se reconhecer pecador e necessitado da graça de Deus.
Quais são os efeitos da confissão? São dois: o perdão dos pecados e a graça. O primeiro, conhecido por todos, é o perdão dos pecados e a reconciliação com Deus. Fomos reconciliados porque os laços que nos uniam com Deus estavam cortados. O pecado mortal arranca a alma da amizade com Deus. Mas, a confissão não é só para quem está em pecado mortal. Se assim fosse, acho que João Paulo II não teria se confessado, como referimos acima.
O segundo efeito é o aumento da graça na alma. É a paz que se sente no fundo do coração, a alegria de estar nos braços de Deus. Por isso, convém ter uma confissão frequente, ter um confessor estável para que dirija a nossa alma. Não é que eu precise ter um pecado grave para acudir à confissão, é suficiente manifestar aqueles pecados veniais, omissões do dia-a-dia.
O confessionário não é um tribunal de delitos, porque se assim fosse estaríamos perdidos. Ao contrário, quando entro no confessionário posso estar certo de que não perderei nada, não perderei nenhuma causa, não estarei gastando o meu dinheiro com advogados. Além do mais, estarei entregando matéria suja, podridão, o que ninguém quer, para receber em troca o melhor produto, o amor de Deus que se manifesta através do confessor.
Mas me confessar com um pecador? É verdade que o sacerdote é pecador, como qualquer um de nós, com um caráter e paciência que, às vezes, são desagradáveis de experimentar. Além disso, a identidade do sacerdote está muito desvalorizada, porque os inimigos da Igreja não perdem nenhuma oportunidade para criticá-lo publicamente e manchar sempre mais a sua imagem.
Por incrível que pareça, o ser pecador do padre é uma razão pela qual devo me confessar. Ele conhece a realidade do pecado, o experimenta em carne própria, ele mesmo se confessa com outro sacerdote. Tudo isso faz com que tenha uma grande compreensão para com os penitentes. Junto com a Celebração da Eucaristia, a confissão é o ato mais importante e frequente de todo sacerdote. Santos como São João Maria Vianey, São João Bosco transcorriam até 18 horas confessando a quem precisasse. Não há pecado novo que o sacerdote não conheça, e ninguém poderá inventar um pecado que o sacerdote ainda não tenha escutado. Isso dá muita tranquilidade na alma de quem se confessa.
Quem perdoa é Deus, que é o único que pode fazê-lo. O sacerdote é apenas um instrumento. Neste caso, alguém poderia dizer: “Por que o sacerdote em lugar de dizer ‘eu te absolvo dos teus pecados’ não diz ‘Deus te absolva dos teus pecados’?” A razão é que o sacerdote age “in persona Christi”, em nome de Cristo, com a autoridade que vem de Cristo mesmo (Mt 28,18), “Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20, 23).
A matéria da confissão fica inteiramente enterrada. Tudo quanto se confessa fica sob o sigilo sacramental e posso estar certo que ninguém ficará sabendo disso. Existem até mesmo santos que defenderam o sigilo com risco de serem assassinados. São João Nepomuceno é uma exemplo disso. Quando o rei Wenceslao IV de Praga, com ciúmes da rainha, quis saber do seu confessor, o que ela confessava, o Pe. João Nepomuceno se negou rotundamente. A negativa irritou muito o Rei, que atou o padre dobrado das mãos à cabeça e o lançou no rio Moldávia. Três séculos depois, encontraram a sua língua incorrupta, um pouco seca e cinza. E, na presença daquelas pessoas, aquela língua começou a regenerar-se e converter-se numa língua viva. Isso prova uma vez mais que a confissão é feita a Deus, não a um homem, se bem que Deus use um instrumento humano.
O exemplo deste santo deve ser fonte de inspiração para todos nós, sacerdotes e leigos. O sacerdócio não é uma profissão, mas uma vocação, ou seja, um chamado de Deus. O sacerdote age em nome de Deus, de forma que quem perdoa é Deus mesmo.
Não se confessar é recusar o remédio que dá a vida; é desperdiçar a graça de Deus que não volta mais.
Renove a sua alma nesta Quaresma: confesse-se!
amaldaner@legionaries.org
As palavras movem, mas o exemplo arrasta. Contam que um bispo fora chamado à audiência privada com o papa. Antes de chegar, vê um mendigo cujo rosto lhe era familiar, se tratava de um antigo companheiro de seminário. O seu coração se enche de tristeza, até o ponto de referir o fato ao mesmo Santo Padre, que pede ao bispo que convide o mendigo para jantar com ele.
O jantar estava pronto, os convidados chegam e após a cordial saudação do Santo Padre, foram convidados à sala de almoço. Inesperadamente, o Santo Padre se ajoelha e se dirige ao mendigo: "Poderia me confessar?" Após este encontro, o mendigo pediu ser readmitido ao seu estado sacerdotal.
A confissão é o pão nosso de todos, ricos e pobres, grandes e pequenos pecadores. Todos precisam da confissão, até mesmo os mais santos, porque uma característica essencial da santidade é se reconhecer pecador e necessitado da graça de Deus.
Quais são os efeitos da confissão? São dois: o perdão dos pecados e a graça. O primeiro, conhecido por todos, é o perdão dos pecados e a reconciliação com Deus. Fomos reconciliados porque os laços que nos uniam com Deus estavam cortados. O pecado mortal arranca a alma da amizade com Deus. Mas, a confissão não é só para quem está em pecado mortal. Se assim fosse, acho que João Paulo II não teria se confessado, como referimos acima.
O segundo efeito é o aumento da graça na alma. É a paz que se sente no fundo do coração, a alegria de estar nos braços de Deus. Por isso, convém ter uma confissão frequente, ter um confessor estável para que dirija a nossa alma. Não é que eu precise ter um pecado grave para acudir à confissão, é suficiente manifestar aqueles pecados veniais, omissões do dia-a-dia.
O confessionário não é um tribunal de delitos, porque se assim fosse estaríamos perdidos. Ao contrário, quando entro no confessionário posso estar certo de que não perderei nada, não perderei nenhuma causa, não estarei gastando o meu dinheiro com advogados. Além do mais, estarei entregando matéria suja, podridão, o que ninguém quer, para receber em troca o melhor produto, o amor de Deus que se manifesta através do confessor.
Mas me confessar com um pecador? É verdade que o sacerdote é pecador, como qualquer um de nós, com um caráter e paciência que, às vezes, são desagradáveis de experimentar. Além disso, a identidade do sacerdote está muito desvalorizada, porque os inimigos da Igreja não perdem nenhuma oportunidade para criticá-lo publicamente e manchar sempre mais a sua imagem.
Por incrível que pareça, o ser pecador do padre é uma razão pela qual devo me confessar. Ele conhece a realidade do pecado, o experimenta em carne própria, ele mesmo se confessa com outro sacerdote. Tudo isso faz com que tenha uma grande compreensão para com os penitentes. Junto com a Celebração da Eucaristia, a confissão é o ato mais importante e frequente de todo sacerdote. Santos como São João Maria Vianey, São João Bosco transcorriam até 18 horas confessando a quem precisasse. Não há pecado novo que o sacerdote não conheça, e ninguém poderá inventar um pecado que o sacerdote ainda não tenha escutado. Isso dá muita tranquilidade na alma de quem se confessa.
Quem perdoa é Deus, que é o único que pode fazê-lo. O sacerdote é apenas um instrumento. Neste caso, alguém poderia dizer: “Por que o sacerdote em lugar de dizer ‘eu te absolvo dos teus pecados’ não diz ‘Deus te absolva dos teus pecados’?” A razão é que o sacerdote age “in persona Christi”, em nome de Cristo, com a autoridade que vem de Cristo mesmo (Mt 28,18), “Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20, 23).
A matéria da confissão fica inteiramente enterrada. Tudo quanto se confessa fica sob o sigilo sacramental e posso estar certo que ninguém ficará sabendo disso. Existem até mesmo santos que defenderam o sigilo com risco de serem assassinados. São João Nepomuceno é uma exemplo disso. Quando o rei Wenceslao IV de Praga, com ciúmes da rainha, quis saber do seu confessor, o que ela confessava, o Pe. João Nepomuceno se negou rotundamente. A negativa irritou muito o Rei, que atou o padre dobrado das mãos à cabeça e o lançou no rio Moldávia. Três séculos depois, encontraram a sua língua incorrupta, um pouco seca e cinza. E, na presença daquelas pessoas, aquela língua começou a regenerar-se e converter-se numa língua viva. Isso prova uma vez mais que a confissão é feita a Deus, não a um homem, se bem que Deus use um instrumento humano.
O exemplo deste santo deve ser fonte de inspiração para todos nós, sacerdotes e leigos. O sacerdócio não é uma profissão, mas uma vocação, ou seja, um chamado de Deus. O sacerdote age em nome de Deus, de forma que quem perdoa é Deus mesmo.
Não se confessar é recusar o remédio que dá a vida; é desperdiçar a graça de Deus que não volta mais.
Renove a sua alma nesta Quaresma: confesse-se!
|
Arte Sacra | 
Bíblia e Exegese | 
Catequese | 
Direito e Cidadania | 
Doutrina Social | 
Eclesiologia | 
Entrevistas | 
Espiritualidade | 
Fé e Política | 
Homilias | 
Liturgia | 
Moral | 
Música Sacra | 
Orkut - Católicos | 
Perspectivas - Xambinho | 
Recursos - Catequistas | 
Sociedade Católica | 
Teologia | 
Testemunhos
|
|||||||
















