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O que é mais importante?
Publicado por Marcia em 25/4/2008 (1951 leituras)
O que é mais importante?
“Qual é a coisa mais importante que você já fez na vida?” Muitos responderiam a essa pergunta aludindo às suas honras, ao seu dinheiro ou ao seu prestígio social. O autor deste texto, a partir de uma experiência pessoal, mostra que o que é realmente importante é o tempo dedicado aos outros, especialmente se são nossos amigos e parentes.

Numa ocasião em que dava uma palestra para um grupo de advogados, fizeram-me a seguinte pergunta: “Qual é a coisa mais importante que você já fez na vida?”

A resposta veio-me à mente de imediato, mas não a dei, pois as circunstâncias não eram apropriadas. Como advogado que trabalha na indústria do espetáculo, sabia que queriam ouvir histórias da minha convivência com as celebridades.

A coisa mais importante que já fiz na vida passou-se no dia 8 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um amigo que já não via há muito. Entre uma tacada e outra, falávamos sobre as nossas vidas. Ele contou-me que a sua esposa acabara de ter um filho.

Enquanto jogávamos, chegou o pai do meu amigo, muito consternado, dizendo que o seu bebê deixara de respirar e fora levado às pressas para o hospital. Instantaneamente, o meu amigo subiu no carro do pai e partiram. Por um momento, fiquei onde estava, sem conseguir mover-me, mas logo comecei a perguntar-me que deveria fazer:

“Acompanhá-lo até o hospital? Mas, se a minha presença não vai servir de nada? A criança certamente deve estar recebendo os cuidados necessários da parte dos médicos e das enfermeiras e nada do que eu faça mudará alguma coisa.

“Oferecer-lhe meu apoio moral? Isso talvez. Mas acontece que tanto ele como a sua esposa têm uma família numerosa, e com certeza estarão agora rodeados de parentes, que lhes darão o apoio e o conforto necessários, pouco importando o que eu faça”.

Quando dei a partida no carro, lembrei-me de que o meu amigo havia deixado a sua caminhonete estacionada próximo ao campo, com as chaves no contato. Decidi, pois, fechar o carro e ir ao hospital para entregar-lhe as chaves.

Como havia imaginado, a sala de espera estava repleta de familiares que consolavam o meu amigo. Entrei sem fazer barulho e fiquei perto da porta, pensando no que fazer. Não demorou muito e apareceu um médico que se aproximou da família e, em voz baixa, lhes comunicou o falecimento do bebê.

Durante o que pareceu uma eternidade, o meu amigo e a sua esposa abraçaram-se, chorando, rodeados por nós, em meio ao silêncio e à dor. O médico perguntou-lhes se desejavam ficar alguns momentos com o filho. O casal pôs-se de pé e começou a andar resignadamente até a porta.

Ao ver-me ali, num dos cantos da sala, a mãe abraçou-me e começou a chorar. Também o meu amigo refugiou-se em meus braços e disse: “Obrigado por estar aqui”.

Passei o resto da manhã sentado na sala de urgências do hospital, observando o meu amigo e a sua esposa tomarem o filho nos braços e despedirem-se dele.

Essa foi a coisa mais importante que já fiz na vida.

Esta experiência ensinou-me três coisas:

Primeira: o fato mais importante da minha vida aconteceu quando não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer. Nada do que aprendi na Universidade e nos seis anos já decorridos então de exercício da minha profissão, nem toda a racionalidade de que usei para analisar as minhas alternativas, foram-me úteis nessas circunstâncias. Uma desgraça sobreveio a duas pessoas e eu era incapaz de remediá-la. Só o que pude fazer foi acompanhá-las e esperar o desenlace. Entretanto, estar presente naqueles momentos em que alguém precisava de mim era o principal.

Segunda: estou convencido de que a coisa mais importante que já fiz na vida por pouco não deixou de ocorrer precisamente devido àquilo que aprendi na Universidade e na vida profissional, como o conceito de ser sempre racional que me inculcaram. Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, já não tenho dúvidas que deveria ter entrado no carro sem titubear e acompanhado o meu amigo ao hospital.

Terceira: aprendi que a vida pode mudar num instante. Todos sabemos disso intelectualmente, mas acreditamos que as desgraças só acontecem com os outros. Desta forma, fazemos planos e concebemos o nosso futuro como algo tão real que parece que vai acontecer. No entanto, quando chega o amanhã, deixamos de prestar atenção àqueles que passam ao nosso lado e esquecemos que o desemprego, uma doença grave ou um acidente, um motorista bêbado e milhares de outras coisas podem alterar este futuro num piscar de olhos.

Há ocasiões em que faz falta para certas pessoas viverem uma tragédia, para que encarem as coisas de outra perspectiva. Desde aquele dia passei a buscar um equilíbrio entre o trabalho e a vida; aprendi que nenhum emprego, por melhor que seja, compensa a perda das férias, o afastamento dos amigos ou uma data festiva longe da família.

E aprendi que o mais importante na vida não é ganhar dinheiro, nem ascender na escala social, nem receber honras... O mais importante na vida é o tempo que dedicamos a cultivar uma amizade.


AGRADEÇO A DEUS:
a) Pelas minhas filhas que ficam assistindo TV e NÃO limpam os seus quartos, porque isso significa que estão em casa e não nas ruas.
b) Pelos descontos no meu pagamento, porque significam que eu estou trabalhando.
c) Pela bagunça que tenho que arrumar depois que dou uma festa, porque significa que estava rodeado de pessoas queridas.
d) Pelas roupas que já não me servem, porque significa que tenho o suficiente para comer.
e) Por ver a minha sombra quando vou trabalhar, porque significa que pude sair ao sol.
f) Pela grama que preciso cortar, pela janela que preciso limpar e pelas calhas que preciso consertar, porque significam que tenho casa.
g) Pelas queixas que escuto sobre o governo, porque significam que tenho liberdade de expressão.
h) Por estacionar na vaga mais distante do estacionamento, porque significa que tenho carro.
i) Pela senhora desafinada que senta atrás de mim na igreja, porque significa que posso escutar.
j) Pelo monte de roupa que tenho de lavar e passar, porque significa que tenho roupa para vestir.
k) Pelos cansaços e dores musculares no final do dia, porque significam que fui capaz de trabalhar duro.
l) Pelo despertador que toca pontualmente todas as manhãs, porque significa que estou vivo!
m) E, finalmente, pela quantidade de e-mails que recebo, porque significa que tenho amigas e amigos que pensam em mim.

(Quando você pensar que tudo na sua vida vai mal, leia este texto novamente).



Eymi Montoya - advogado


Fonte: Encuentra.com
Tradução: Quadrante
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