Publicado por Cesny em 13/7/2010 (1017 leituras)
Diogo Lacerda, LC
Ao invés de ira, a opinião do ilustre autor de "Deus, um delírio", deve suscitar, nos que creem num Ser Supremo, a interrogação do porquê da própria crença, para que assim comprovem que sua fé não é boa somente porque lhe ensinaram quando crianças, mas porque existem evidências para crer com convicção e orgulho. E estando num país democrático, onde a liberdade de expressão vigora, é importante manifestar a outra face de moeda.
De acordo com suas palavras (as de Dawkins), ele define Deus como um delírio, algo meramente mitológico e obsoleto ao saber humano do Terceiro Milênio, e que a religião não passa de uma superstição arcaica e nociva dos nossos antepassados que deve, portanto, ser descartada do cenário atual, pois o que essa irracional crença pregava, agora, já é explicado e garantido pela ciência.
“Afastar-se da religião é avanço civilizatório”. Frente esta declaração devem ser ressaltados e analisados os seguintes tópicos:
O que é civilização? É um conjunto de aspectos da vida material e cultural de um grupo social. Nesse sentido, perder a religião seria jogar fora uma parte da cultura, e uma perda nem é sempre um avanço; perder a religiosidade é desfigurar a própria identidade cultural.
O avanço civilizatório implica aperfeiçoar e melhorar os meios e não mudar a essência; por exemplo: antigamente o homem para comer utilizava meios e práticas rudimentares para obter seu alimento e, atualmente, esses meios foram desenvolvidos pela tecnologia proporcionando uma maior qualidade e acessibilidade ao produto, contudo o homem não deixou de se alimentar. Assim analogamente ocorre com a religião; os fundamentos são inalteráveis e a existência de um Ser Supremo é muito mais evidente que a suposição de sua inexistência, entretanto o que se modifica são as formas de expressão da religiosidade que se aperfeiçoam ao mesmo ritmo do avanço do homem no saber e no viver, por esta razão em séculos passados a religião tinha modos de expressão que foram, desde a nossa atual perspectiva, algumas vezes desumanos e errôneos. Não obstante, comprova-se que a sociedade se tem civilizado muitas vezes graças à religião. Um exemplo concreto: após o surgimento do cristianismo, houve um grande avanço civilizatório e humano da sociedade, e perenes vestígios desse processo podem ser constatados em nossos dias: a criação de entidades que se preocupam pelo homem, algo completamente inexistente antes de Cristo, isto é, hospitais, asilos, auxílio aos estrangeiros, casas de saúde etc. Como se vê, a religião contribuiu muito para a sociedade.
Em sua entrevista ao “Estado¹” , ele afirmou que a religião abre caminho para o extremismo e , no caso do cristianismo, ele tem toda a razão. Jesus Cristo pede aos seus seguidores amar o próximo até dar a vida por ele, pede amar ao extremo nossa família, nosso colega, nosso professor, o funcionário do banco, o mendigo da esquina, mesmo se eles não levam uma vida moral exemplar ou não compartilham as mesmas convicções religiosas; pede amar sem exceção. Tomara que o mundo estivesse cheio de extremistas e fundamentalistas do amor! Acabariam as guerras, a fome, a miséria, a violência, a discriminação. Há algum exemplo melhor que a da Madre Teresa de Calcutá, ela que amou todos sem limites, sem exceção, sem acepção de pessoas ou raças?
Por estas razões, conclue-se que a religião, longe de ser um “ópio da sociedade”, uma mordaça da consciência ou um empecilho à liberdade humana, ela tem o papel de fazer que o homem enxergue a sua dignidade, de fazê-lo compreender que ele é muito mais que “um punhado de genes ineteressados apenas na própria reprodução”(Richard Dawkins- em seu livro O Gene Egoísta, 1976). A religião também desenvolve um papel muito importante rumo ao progresso humano, ela serve de luz para iluminar os caminhos traçados pela ciência, e assim juntas levem o gênero humano à plenitude temporal e eterna.
1. Entrevista feita a Richard Dawkins por Herton Escobar no jornal O Estado de São Paulo, domingo, 12 de agosto de 2007
Ao invés de ira, a opinião do ilustre autor de "Deus, um delírio", deve suscitar, nos que creem num Ser Supremo, a interrogação do porquê da própria crença, para que assim comprovem que sua fé não é boa somente porque lhe ensinaram quando crianças, mas porque existem evidências para crer com convicção e orgulho. E estando num país democrático, onde a liberdade de expressão vigora, é importante manifestar a outra face de moeda.
De acordo com suas palavras (as de Dawkins), ele define Deus como um delírio, algo meramente mitológico e obsoleto ao saber humano do Terceiro Milênio, e que a religião não passa de uma superstição arcaica e nociva dos nossos antepassados que deve, portanto, ser descartada do cenário atual, pois o que essa irracional crença pregava, agora, já é explicado e garantido pela ciência.
“Afastar-se da religião é avanço civilizatório”. Frente esta declaração devem ser ressaltados e analisados os seguintes tópicos:
O que é civilização? É um conjunto de aspectos da vida material e cultural de um grupo social. Nesse sentido, perder a religião seria jogar fora uma parte da cultura, e uma perda nem é sempre um avanço; perder a religiosidade é desfigurar a própria identidade cultural.
O avanço civilizatório implica aperfeiçoar e melhorar os meios e não mudar a essência; por exemplo: antigamente o homem para comer utilizava meios e práticas rudimentares para obter seu alimento e, atualmente, esses meios foram desenvolvidos pela tecnologia proporcionando uma maior qualidade e acessibilidade ao produto, contudo o homem não deixou de se alimentar. Assim analogamente ocorre com a religião; os fundamentos são inalteráveis e a existência de um Ser Supremo é muito mais evidente que a suposição de sua inexistência, entretanto o que se modifica são as formas de expressão da religiosidade que se aperfeiçoam ao mesmo ritmo do avanço do homem no saber e no viver, por esta razão em séculos passados a religião tinha modos de expressão que foram, desde a nossa atual perspectiva, algumas vezes desumanos e errôneos. Não obstante, comprova-se que a sociedade se tem civilizado muitas vezes graças à religião. Um exemplo concreto: após o surgimento do cristianismo, houve um grande avanço civilizatório e humano da sociedade, e perenes vestígios desse processo podem ser constatados em nossos dias: a criação de entidades que se preocupam pelo homem, algo completamente inexistente antes de Cristo, isto é, hospitais, asilos, auxílio aos estrangeiros, casas de saúde etc. Como se vê, a religião contribuiu muito para a sociedade.
Em sua entrevista ao “Estado¹” , ele afirmou que a religião abre caminho para o extremismo e , no caso do cristianismo, ele tem toda a razão. Jesus Cristo pede aos seus seguidores amar o próximo até dar a vida por ele, pede amar ao extremo nossa família, nosso colega, nosso professor, o funcionário do banco, o mendigo da esquina, mesmo se eles não levam uma vida moral exemplar ou não compartilham as mesmas convicções religiosas; pede amar sem exceção. Tomara que o mundo estivesse cheio de extremistas e fundamentalistas do amor! Acabariam as guerras, a fome, a miséria, a violência, a discriminação. Há algum exemplo melhor que a da Madre Teresa de Calcutá, ela que amou todos sem limites, sem exceção, sem acepção de pessoas ou raças?
Por estas razões, conclue-se que a religião, longe de ser um “ópio da sociedade”, uma mordaça da consciência ou um empecilho à liberdade humana, ela tem o papel de fazer que o homem enxergue a sua dignidade, de fazê-lo compreender que ele é muito mais que “um punhado de genes ineteressados apenas na própria reprodução”(Richard Dawkins- em seu livro O Gene Egoísta, 1976). A religião também desenvolve um papel muito importante rumo ao progresso humano, ela serve de luz para iluminar os caminhos traçados pela ciência, e assim juntas levem o gênero humano à plenitude temporal e eterna.
1. Entrevista feita a Richard Dawkins por Herton Escobar no jornal O Estado de São Paulo, domingo, 12 de agosto de 2007
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