Publicado por Lazarotto em 28/7/2010 (1873 leituras)
Sem. Wilson Lazarotto, LC
wlazarotto@legionaries.org
"Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a fé pelas minhas obras." (Tg 2, 18)
Quem sabe eu esteja errado, mas considero que um dos maiores desafios da sua vida é ser você mesmo. Aliás, este é certamente a maior dificuldade que os homens encontram na sua vida nos nossos dias. Você certamente me perguntará: quando é que eu não sou eu? Conto-lhe esta pequena anedota que pode ilustrar melhor o que eu quero dizer com 'não sermos nós mesmos'. Tenho certeza que você conhece casos como este.
É a história de um jovem, que aqui vamos chamar de Felipe. Felipe é o que chamaríamos de: 'um cara legal'. É alegre, divertido, é o maioral. Felipe tem a vida mais fantástica, a vida mais atraente que eu conheço, ou ao menos aparenta tê-la. Os seus finais de semana são ótimos: viagens, festas, paqueras, etc. Não conheço histórias melhores que as dele. O único problema é que são realmente isso: somente histórias.
Felipe pode ter passado o final de semana inteiro debaixo dos cobertores, mas é capaz de jurar que foi a suas festas, que saiu com tal menina, etc. Felipe quase nunca saiu do recinto da sua cidade, mas descreve viagens incríveis. Mas Felipe é ‘um cara legal’. Tem boa aparência, é alegre, é tão divertido. Felipe quer ser amigo de todos, se compromete com todos, mas tem só um probleminha: não cumpre nada daquilo a que se compromete. É certo que tem sempre uma boa desculpa: aquela viagem, o jogo do final de semana.
Você certamente qualificaria Felipe como um jovem mentiroso, irresponsável. É certo. Estas são as manifestações mais marcantes de Felipe, mas existe um problema mais profundo: Felipe é o reflexo palpável da filosofia do mundo atual: é mais importante aparecer, que realmente ser. Felipe quase nunca é ele mesmo: é o jovem que quer ser bem visto, mas que não se preocupa em ser bom. Felipe só esqueceu uma coisa: de tanto contar mentiras converteu a sua vida numa grande mentira. De tanto contar histórias transformou a sua vida num conto de fadas surreal.
O mundo atual (e quando digo mundo atual me refiro às pessoas que povoam o planeta, incluídos você e eu) insiste em viver na lógica da aparência. Gostaria que você se respondesse com sinceridade às seguintes perguntas: ‘Digo sempre a verdade?’; ‘Vivo na Verdade?’; ‘Cumpro as minhas promessas?’. Responda a si mesmo diante de Deus, sem traumas nem constrangimentos.
Considero que é mais fácil entender esta dimensão da nossa vida quando falamos da nossa fé. É muito comum, e por ser comum é também triste, encontrar pessoas que se dizem católicas, mas que não vivem a sua fé. Reconheço que o nosso mundo não é fácil. Vivemos numa sociedade onde o que conta é a nossa imagem e não o que somos. É a triste realidade, mas é neste mundo que vivemos e é neste mundo que devemos viver a nossa fé. Peço perdão por fazer tantas perguntas indiscretas, mas seria bom que você se perguntasse se vive coerentemente a sua fé, apesar das circunstâncias adversas que o rodeiam.
Sei que a pergunta é difícil, mas é preciso respondê-la. Não podemos nos acostumar a professar a nossa fé e viver como se Deus não existisse. Cristo se apresentou como Caminho, Verdade e Vida e é urgente que reproduzamos esta imagem de Cristo na nossa vida. Sou ciente que, como eu, você conhece exemplos de pessoas que vivem a sua fé não obstante as imensas dificuldades que isso comporta. E para ser justo estou certo que para viver a sua fé você já passou por muitas dificuldades.
Mas, deixemos de lado a fé, pois ser ou não coerente, ser ou não sincero, não é indiferente na vida de nenhuma pessoa. Até mesmo os ateus devem ser coerentes (ainda que eu considere difícil encontrar um ateu coerente). A incoerência só traz problemas. Aquele que vive na mentira não consegue viver tranquilo, está sempre preocupado pela sua imagem, pelo teor das suas palavras, vive a vida sem naturalidade e sem paz. Uma pessoa incoerente, no fundo vive dividida entre o seu ser verdadeiro e o fantoche que apresenta ao mundo exterior.
É certo que a vivência da coerência está longe de ser fácil. Todos temos este são apreço pela nossa imagem diante dos outros. O importante é não fazer da nossa imagem o centro da nossa vida. Aqui vale uma atitude radical: é preferível ser coerente e estar em paz consigo mesmo a ter uma boa imagem e ser “bem visto” pelos outros, mas não viver em paz.
Para nós católicos a coerência tem um motivo ainda mais forte. Sempre me estremeço quando leio estas palavras do Evangelho: “Pois quem se envergonhar de mim e de minhas palavras, o Filho do Homem dele se envergonhará, quando vier em sua glória e na do Pai e dos santos anjos.” (Lc 9, 26). Deus quer a nossa sinceridade, quer que a nossa fé prevaleça por encima dos nossos interesses e de qualquer glória mundana.
Cabe a cada um de nós decidir: ser incoerente e viver dividido ou ser coerente e viver em paz; viver na verdade, viver de verdade.
wlazarotto@legionaries.org
"Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a fé pelas minhas obras." (Tg 2, 18)
Quem sabe eu esteja errado, mas considero que um dos maiores desafios da sua vida é ser você mesmo. Aliás, este é certamente a maior dificuldade que os homens encontram na sua vida nos nossos dias. Você certamente me perguntará: quando é que eu não sou eu? Conto-lhe esta pequena anedota que pode ilustrar melhor o que eu quero dizer com 'não sermos nós mesmos'. Tenho certeza que você conhece casos como este.
É a história de um jovem, que aqui vamos chamar de Felipe. Felipe é o que chamaríamos de: 'um cara legal'. É alegre, divertido, é o maioral. Felipe tem a vida mais fantástica, a vida mais atraente que eu conheço, ou ao menos aparenta tê-la. Os seus finais de semana são ótimos: viagens, festas, paqueras, etc. Não conheço histórias melhores que as dele. O único problema é que são realmente isso: somente histórias.
Felipe pode ter passado o final de semana inteiro debaixo dos cobertores, mas é capaz de jurar que foi a suas festas, que saiu com tal menina, etc. Felipe quase nunca saiu do recinto da sua cidade, mas descreve viagens incríveis. Mas Felipe é ‘um cara legal’. Tem boa aparência, é alegre, é tão divertido. Felipe quer ser amigo de todos, se compromete com todos, mas tem só um probleminha: não cumpre nada daquilo a que se compromete. É certo que tem sempre uma boa desculpa: aquela viagem, o jogo do final de semana.
Você certamente qualificaria Felipe como um jovem mentiroso, irresponsável. É certo. Estas são as manifestações mais marcantes de Felipe, mas existe um problema mais profundo: Felipe é o reflexo palpável da filosofia do mundo atual: é mais importante aparecer, que realmente ser. Felipe quase nunca é ele mesmo: é o jovem que quer ser bem visto, mas que não se preocupa em ser bom. Felipe só esqueceu uma coisa: de tanto contar mentiras converteu a sua vida numa grande mentira. De tanto contar histórias transformou a sua vida num conto de fadas surreal.
O mundo atual (e quando digo mundo atual me refiro às pessoas que povoam o planeta, incluídos você e eu) insiste em viver na lógica da aparência. Gostaria que você se respondesse com sinceridade às seguintes perguntas: ‘Digo sempre a verdade?’; ‘Vivo na Verdade?’; ‘Cumpro as minhas promessas?’. Responda a si mesmo diante de Deus, sem traumas nem constrangimentos.
Considero que é mais fácil entender esta dimensão da nossa vida quando falamos da nossa fé. É muito comum, e por ser comum é também triste, encontrar pessoas que se dizem católicas, mas que não vivem a sua fé. Reconheço que o nosso mundo não é fácil. Vivemos numa sociedade onde o que conta é a nossa imagem e não o que somos. É a triste realidade, mas é neste mundo que vivemos e é neste mundo que devemos viver a nossa fé. Peço perdão por fazer tantas perguntas indiscretas, mas seria bom que você se perguntasse se vive coerentemente a sua fé, apesar das circunstâncias adversas que o rodeiam.
Sei que a pergunta é difícil, mas é preciso respondê-la. Não podemos nos acostumar a professar a nossa fé e viver como se Deus não existisse. Cristo se apresentou como Caminho, Verdade e Vida e é urgente que reproduzamos esta imagem de Cristo na nossa vida. Sou ciente que, como eu, você conhece exemplos de pessoas que vivem a sua fé não obstante as imensas dificuldades que isso comporta. E para ser justo estou certo que para viver a sua fé você já passou por muitas dificuldades.
Mas, deixemos de lado a fé, pois ser ou não coerente, ser ou não sincero, não é indiferente na vida de nenhuma pessoa. Até mesmo os ateus devem ser coerentes (ainda que eu considere difícil encontrar um ateu coerente). A incoerência só traz problemas. Aquele que vive na mentira não consegue viver tranquilo, está sempre preocupado pela sua imagem, pelo teor das suas palavras, vive a vida sem naturalidade e sem paz. Uma pessoa incoerente, no fundo vive dividida entre o seu ser verdadeiro e o fantoche que apresenta ao mundo exterior.
É certo que a vivência da coerência está longe de ser fácil. Todos temos este são apreço pela nossa imagem diante dos outros. O importante é não fazer da nossa imagem o centro da nossa vida. Aqui vale uma atitude radical: é preferível ser coerente e estar em paz consigo mesmo a ter uma boa imagem e ser “bem visto” pelos outros, mas não viver em paz.
Para nós católicos a coerência tem um motivo ainda mais forte. Sempre me estremeço quando leio estas palavras do Evangelho: “Pois quem se envergonhar de mim e de minhas palavras, o Filho do Homem dele se envergonhará, quando vier em sua glória e na do Pai e dos santos anjos.” (Lc 9, 26). Deus quer a nossa sinceridade, quer que a nossa fé prevaleça por encima dos nossos interesses e de qualquer glória mundana.
Cabe a cada um de nós decidir: ser incoerente e viver dividido ou ser coerente e viver em paz; viver na verdade, viver de verdade.
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