Publicado por Marcia em 24/4/2008 (4342 leituras)
É importante ter presente a diferença entre felicidade e satisfação.
Um dos grandes equívocos cometidos pelos homens ao longo dos séculos consiste em confundir felicidade com satisfação. Tenho certeza de que colocados, assim, lado a lado, os dois vocábulos - “satisfação” e “felicidade”- salta aos olhos que envolvem conceitos distintos. Na vida prática, contudo, a confusão é permanente.
“Satisfação” é o estado de espírito de quem encontrou uma coisa atraente aos sentidos: a música que nos agrada, o perfume certo, um pôr-de-sol sobre as águas, o prato predileto, o toque da pessoa amada. Há uma clara relação, pois, entre “satisfação” e um ou outro de nossos cinco sentidos, de modo que tal estado de espírito se relaciona diretamente com nossos instintos e gostos pessoais.
“Felicidade”, por seu turno, é o estado de espírito de quem encontrou o Bem. Não apenas uma “coisa boa” mas “o” Bem. Trata-se, portanto, de algo muito mais permanente do que a satisfação que vale tanto quanto dura. O Bem é algo substantivo ao passo que “bom” é tão-somente um adjetivo.
Ora, todos somos igualmente vocacionados para a felicidade - e para a felicidade eterna. Felicidade que não se projeta para a eternidade, felicidade que admite um horizonte final logo ali, não é felicidade verdadeira. Portanto, a felicidade só pode estar na eternidade de Deus ou, mais precisamente, no próprio Deus. Nas coisas que passam, se gastam, ou são roídas pelas traças, jamais estará a felicidade mas a mera satisfação; e onde estiver a felicidade a satisfação perde muita relevância.
Pessoas que atuam na pastoral dos enfermos, por exemplo, relatam, casos de doentes que em péssima situação física (ausente qualquer gozo dos sentidos e, por conseqüência, qualquer satisfação), declaram-se, ainda assim, felizes. Não estão “numa boa” mas por certo encontraram o Bem.
O que torna especialmente difícil, na vida prática, perceber os desvios a que nos conduz a confusão entre felicidade e satisfação é a carga publicitária imposta pelos meios de comunicação. Toda ela está empenhada em nos convencer de que seremos felizes consumindo ou fazendo “coisas boas”. E nunca interessada em indicar o Bem. Ao contrário, não contentes em nos empurrar para essa terrível confusão conceitual, ainda tratam de ridicularizar o Bem em quaisquer de suas manifestações. As conseqüências vitais a que ficamos expostos é um verdadeiro desvio de vocação (ou de função) pela vida afora, condicionados a só buscar coisas boas, não raro em detrimento do eterno Bem.
Percival Puggina
fonte: www.puggina.org
Um dos grandes equívocos cometidos pelos homens ao longo dos séculos consiste em confundir felicidade com satisfação. Tenho certeza de que colocados, assim, lado a lado, os dois vocábulos - “satisfação” e “felicidade”- salta aos olhos que envolvem conceitos distintos. Na vida prática, contudo, a confusão é permanente.
“Satisfação” é o estado de espírito de quem encontrou uma coisa atraente aos sentidos: a música que nos agrada, o perfume certo, um pôr-de-sol sobre as águas, o prato predileto, o toque da pessoa amada. Há uma clara relação, pois, entre “satisfação” e um ou outro de nossos cinco sentidos, de modo que tal estado de espírito se relaciona diretamente com nossos instintos e gostos pessoais.
“Felicidade”, por seu turno, é o estado de espírito de quem encontrou o Bem. Não apenas uma “coisa boa” mas “o” Bem. Trata-se, portanto, de algo muito mais permanente do que a satisfação que vale tanto quanto dura. O Bem é algo substantivo ao passo que “bom” é tão-somente um adjetivo.
Ora, todos somos igualmente vocacionados para a felicidade - e para a felicidade eterna. Felicidade que não se projeta para a eternidade, felicidade que admite um horizonte final logo ali, não é felicidade verdadeira. Portanto, a felicidade só pode estar na eternidade de Deus ou, mais precisamente, no próprio Deus. Nas coisas que passam, se gastam, ou são roídas pelas traças, jamais estará a felicidade mas a mera satisfação; e onde estiver a felicidade a satisfação perde muita relevância.
Pessoas que atuam na pastoral dos enfermos, por exemplo, relatam, casos de doentes que em péssima situação física (ausente qualquer gozo dos sentidos e, por conseqüência, qualquer satisfação), declaram-se, ainda assim, felizes. Não estão “numa boa” mas por certo encontraram o Bem.
O que torna especialmente difícil, na vida prática, perceber os desvios a que nos conduz a confusão entre felicidade e satisfação é a carga publicitária imposta pelos meios de comunicação. Toda ela está empenhada em nos convencer de que seremos felizes consumindo ou fazendo “coisas boas”. E nunca interessada em indicar o Bem. Ao contrário, não contentes em nos empurrar para essa terrível confusão conceitual, ainda tratam de ridicularizar o Bem em quaisquer de suas manifestações. As conseqüências vitais a que ficamos expostos é um verdadeiro desvio de vocação (ou de função) pela vida afora, condicionados a só buscar coisas boas, não raro em detrimento do eterno Bem.
Percival Puggina
fonte: www.puggina.org
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