Publicado por Tht em 06/3/2011 (709 leituras)
Dom Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro
Estamos lendo aos domingos os textos do "Sermão da Montanha". Durante estes domingos que encerram neste domingo antes da Quaresma vai se tecendo a figura da nova humanidade, nascida de Cristo. Aquilo que parece impossível só se torna possível pela graça de Deus.
Antes de começarmos o rico tempo da Quaresma, que traz consigo a reflexão da Campanha da Fraternidade, que nos chama à sobriedade no trato com o nosso planeta, creio que o tema da ganância e do apego aos bens, que ouvimos no domingo passado, nos ajuda a entrarmos de coração aberto para este tempo em que o jejum, a esmola e a oração estarão centrando o nosso caminho de conversão.
É um tema que une a Campanha da Fraternidade do ano passado com a deste ano. Se sofremos com a depredação do nosso planeta é porque, em última análise, tem por baixo o interesse dos ganhos exagerados e uma ganância cada vez maiores.
Porém, onde reina a pobreza e miséria física, existe sempre uma pobreza moral que a produz e gera. Se a pobreza moral não é do pobre e necessitado, é sempre de quem está perto ou em torno deles. Mas trata-se sempre de pobreza moral e espiritual. Deus é a Providência Divina, é Pai amoroso que não deixa faltar nada aos seus filhos. A relação de paternidade descendente deve, porém, tornar-se relação de filiação ascendente. Pai e filhos devem se encontrar na maior comunhão de vida, e existe comunhão somente na obediência a qualquer vontade de nosso Pai que está nos céus.
Todo homem deve construir essa relação de filiação ascendente, elevando-se constantemente para Deus, e fará isso separando-se de todas as relações de servidão, de escravidão, de dependência do vício e do pecado com as coisas deste mundo e, especialmente, com a fixação do coração na riqueza. Jesus é claro: ou se ama a Deus ou à riqueza. A esses dois senhores não se poderão amar jamais mutuamente. Um exclui o outro. Um nos distancia do outro. São dois senhores que querem o coração, a mente, os desejos, o corpo inteiro de um modo exclusivo.
Como convencer o homem que se pode abandonar totalmente nas mãos do seu Deus sem faltar nada, mas com a abundância e o superávit em sua casa? Jesus convida os discípulos a observar os pássaros do céu. Esses não semeiam, nem recolhem, não acumulam, não têm contas bancárias, não possuem nenhuma reserva de ouro, apesar disso nunca morrem de fome. O Pai Celeste, que é o seu Criador, e sua Providência, nutre-lhes, sustenta-lhes, alimenta-lhes todos os dias.
Também os lírios dos campos não fiam e não tecem, não possuem fábricas para confeccionar as suas roupas. No entanto, nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
Os pássaros e os lírios são hoje e amanhã desaparecem. Mas o homem, ao invés, possui uma vocação eterna. Ele é chamado à comunhão com Deus no céu, no seu Paraíso. Sendo a dignidade do homem infinitamente superior àquela de todos os outros seres, infinitamente maior é o amor que o Pai derrama sobre ele. Ele derrama, porém, com uma condição: que o homem procure o reino de Deus e a sua justiça. É justiça, é direito de Deus, não dar o coração às criaturas, para a riqueza, porque é tudo do Pai celeste.
Estamos, portanto, diante de uma provocação que nos permite aprender, não tanto a ser pré-videntes, mas a confiar na Providência. Portanto, não a nossa pré-vidência, mas a Providência de Deus, que nós não aprendemos a partir de livros ou discursos de outros, mas a partir da própria experiência. Enquanto isso, a partir das coisas à nossa volta (o mundo, aquele genuíno, onde abundam os sinais de Deus), da vida das pessoas que encontramos ..., da vida que se renova a cada manhã. Então, permitirei a mim, convidar a todos para "escalar" a montanha, ou seja, para firmar-se por um momento para ver tantos sinais da presença de Deus em nossas vidas ... uma presença concreta.
O que Deus tem a ver com nossas vidas? E bem-aventurado é aquele que consegue ver que Deus é o "quem tem a ver" e, em seguida, escolheu-o como o fator determinante dos "cálculos" que faz para a própria vida. Então, sejamos previdentes para deixar que seja a Providência a conduzir a nossa vida. Podemos fazê-lo, porque Deus vem em nosso auxílio.
Peçamos hoje, para nós e para todos, o dom da pouca fé, aquela fé que faz Deus entrar em nossas vidas e que lhe permite fazer milagres.
Os temas das Campanhas da Fraternidade do ano passado e deste ano nos questionam sobre essa visão do mundo e das coisas e a utilização que fazemos do nosso planeta. Que ao recebermos cinzas sobre as nossas cabeças, na próxima quarta-feira, estejamos conscientes da necessidade de uma sincera conversão e aproveitemos cada instante da Quaresma para darmos esse passo e, assim, na Vigília Pascal, renovarmos com o coração aberto as nossas promessas batismais.
Virgem Maria, Mãe da Redenção, que te doaste totalmente ao Pai: corpo, alma e espírito. Te tornaste dEle para sempre. Anjos e Santos de Deus, fazei-nos perfeitos na justiça. Unicamente confiantes na Providência do Pai.
Fonte: Arquidiocese do Rio
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro
Estamos lendo aos domingos os textos do "Sermão da Montanha". Durante estes domingos que encerram neste domingo antes da Quaresma vai se tecendo a figura da nova humanidade, nascida de Cristo. Aquilo que parece impossível só se torna possível pela graça de Deus.
Antes de começarmos o rico tempo da Quaresma, que traz consigo a reflexão da Campanha da Fraternidade, que nos chama à sobriedade no trato com o nosso planeta, creio que o tema da ganância e do apego aos bens, que ouvimos no domingo passado, nos ajuda a entrarmos de coração aberto para este tempo em que o jejum, a esmola e a oração estarão centrando o nosso caminho de conversão.
É um tema que une a Campanha da Fraternidade do ano passado com a deste ano. Se sofremos com a depredação do nosso planeta é porque, em última análise, tem por baixo o interesse dos ganhos exagerados e uma ganância cada vez maiores.
Porém, onde reina a pobreza e miséria física, existe sempre uma pobreza moral que a produz e gera. Se a pobreza moral não é do pobre e necessitado, é sempre de quem está perto ou em torno deles. Mas trata-se sempre de pobreza moral e espiritual. Deus é a Providência Divina, é Pai amoroso que não deixa faltar nada aos seus filhos. A relação de paternidade descendente deve, porém, tornar-se relação de filiação ascendente. Pai e filhos devem se encontrar na maior comunhão de vida, e existe comunhão somente na obediência a qualquer vontade de nosso Pai que está nos céus.
Todo homem deve construir essa relação de filiação ascendente, elevando-se constantemente para Deus, e fará isso separando-se de todas as relações de servidão, de escravidão, de dependência do vício e do pecado com as coisas deste mundo e, especialmente, com a fixação do coração na riqueza. Jesus é claro: ou se ama a Deus ou à riqueza. A esses dois senhores não se poderão amar jamais mutuamente. Um exclui o outro. Um nos distancia do outro. São dois senhores que querem o coração, a mente, os desejos, o corpo inteiro de um modo exclusivo.
Como convencer o homem que se pode abandonar totalmente nas mãos do seu Deus sem faltar nada, mas com a abundância e o superávit em sua casa? Jesus convida os discípulos a observar os pássaros do céu. Esses não semeiam, nem recolhem, não acumulam, não têm contas bancárias, não possuem nenhuma reserva de ouro, apesar disso nunca morrem de fome. O Pai Celeste, que é o seu Criador, e sua Providência, nutre-lhes, sustenta-lhes, alimenta-lhes todos os dias.
Também os lírios dos campos não fiam e não tecem, não possuem fábricas para confeccionar as suas roupas. No entanto, nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
Os pássaros e os lírios são hoje e amanhã desaparecem. Mas o homem, ao invés, possui uma vocação eterna. Ele é chamado à comunhão com Deus no céu, no seu Paraíso. Sendo a dignidade do homem infinitamente superior àquela de todos os outros seres, infinitamente maior é o amor que o Pai derrama sobre ele. Ele derrama, porém, com uma condição: que o homem procure o reino de Deus e a sua justiça. É justiça, é direito de Deus, não dar o coração às criaturas, para a riqueza, porque é tudo do Pai celeste.
Estamos, portanto, diante de uma provocação que nos permite aprender, não tanto a ser pré-videntes, mas a confiar na Providência. Portanto, não a nossa pré-vidência, mas a Providência de Deus, que nós não aprendemos a partir de livros ou discursos de outros, mas a partir da própria experiência. Enquanto isso, a partir das coisas à nossa volta (o mundo, aquele genuíno, onde abundam os sinais de Deus), da vida das pessoas que encontramos ..., da vida que se renova a cada manhã. Então, permitirei a mim, convidar a todos para "escalar" a montanha, ou seja, para firmar-se por um momento para ver tantos sinais da presença de Deus em nossas vidas ... uma presença concreta.
O que Deus tem a ver com nossas vidas? E bem-aventurado é aquele que consegue ver que Deus é o "quem tem a ver" e, em seguida, escolheu-o como o fator determinante dos "cálculos" que faz para a própria vida. Então, sejamos previdentes para deixar que seja a Providência a conduzir a nossa vida. Podemos fazê-lo, porque Deus vem em nosso auxílio.
Peçamos hoje, para nós e para todos, o dom da pouca fé, aquela fé que faz Deus entrar em nossas vidas e que lhe permite fazer milagres.
Os temas das Campanhas da Fraternidade do ano passado e deste ano nos questionam sobre essa visão do mundo e das coisas e a utilização que fazemos do nosso planeta. Que ao recebermos cinzas sobre as nossas cabeças, na próxima quarta-feira, estejamos conscientes da necessidade de uma sincera conversão e aproveitemos cada instante da Quaresma para darmos esse passo e, assim, na Vigília Pascal, renovarmos com o coração aberto as nossas promessas batismais.
Virgem Maria, Mãe da Redenção, que te doaste totalmente ao Pai: corpo, alma e espírito. Te tornaste dEle para sempre. Anjos e Santos de Deus, fazei-nos perfeitos na justiça. Unicamente confiantes na Providência do Pai.
Fonte: Arquidiocese do Rio
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