Publicado por Tht em 23/4/2011 (968 leituras)
Dom Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro
Em nossa aldeia global, os fatos locais adquirem rapidamente projeção mundial. Ultimamente, os acontecimentos negativos, que machucam nossas comunidades, em pouco tempo atingem o mundo como um relâmpago, levando a comunidade internacional a participar das dores e flagelos! Aliás, parece que nós nos acostumamos tanto com esse tipo de comunicação que os bons acontecimentos mais raramente fazem sucesso na mídia
Aparentemente, fomos acostumados (quase diria condicionados) a gostar e consumir más notícias. Isso é muito claro quando lemos os números da audiência nos diversos tipos de mídia. Nem sempre a programação de boa qualidade e construtiva é apreciada pelas pessoas.
Essas reflexões eu as tenho há certo tempo. Estava imerso nesses pensamentos sobre como ajudar a mídia a ser portadora de formação, de boa notícia, de incentivo para a educação, da difusão da cultura, e isso interessando para a maioria das pessoas, quando me aprofundei na realidade que estamos para celebrar neste final de semana.
Estamos participando nestes dias do Tríduo Pascal, ápice do Ano Litúrgico, porque celebramos a Morte e Ressurreição do Senhor. Os três momentos litúrgicos, instituição da Eucaristia, morte na cruz e Ressurreição, nos acompanharão por todos os dias de nossas vidas, atualizados em cada missa, pois Jesus Cristo realizou a obra da redenção humana – morrendo, destruiu nossa morte e, ressuscitando, deu-nos nova vida.
Lamento que nem todos estejam motivados para viver esses momentos profundos de nossa fé: “fazer Páscoa”! Todos são chamados a participar intensamente desses momentos celebrativos, aprofundando nossa vida de fé e compartilhando com nossos irmãos a alegria de uma grande e bela notícia: Cristo Ressuscitou! E aí o questionamento: como dar essa boa notícia ao mundo de hoje de tal forma que as pessoas se interessem por ela e acolham-na com alegria e compromisso?
Lembrei-me exatamente disso ao ver a fácil difusão das más notícias, das fofocas e das maledicências! E isso, evidentemente, não apenas nas mídias sociais, mas em todo o nosso tecido social – infelizmente, também em nosso meio eclesial. Eis o nosso grande desafio nestes atuais tempos: anunciar ao mundo, guiados pela luz do Espírito Santo, que Deus é Pai, e enviou o Seu Filho, Jesus Cristo, que deu sua vida por nós e está vivo, ressuscitado, e fazê-lo de tal maneira que seja interessante e entusiasmante para todos.
O kerigma, início da evangelização, o anúncio explícito do Evangelho, que é justamente o anúncio da maior notícia já vista no cosmos; nós temos certeza de que é a resposta que todos aguardam, o anseio de todas as nações – a grande notícia da salvação conquistada por Cristo para todos nós, que porém, nem sempre conseguimos fazê-lo de forma com que muitos a acolham com alegria.
Como existe a dificuldade de fazer as pessoas se interessarem pelas boas notícias, e, diante da maior notícia de todos os tempos teremos duas possíveis respostas: de um lado, acolher e aceitar essa notícia ou, então, rejeitar e não aceitar. E a grande notícia é que Cristo Ressuscitou, verdadeiramente Ressuscitou – Aleluia! Esta é a grande notícia deste final de semana e a permanente mensagem dos cristãos. É realmente uma boa notícia, a melhor notícia que, mesmo sem saber, todos desejam, e que nós temos a missão de testemunhá-la e anunciá-la aos irmãos e irmãs.
Com a nova evangelização, Missão Continental, missão permanente, a Igreja no Brasil insiste para que valorizemos ainda mais o testemunho cristão pela vida, pela unidade, pelo serviço aos irmãos e também a lectio divina, a proclamação da Palavra, que nos ilumina e conduz a vida. Será que não é justamente isso que está criando dificuldades? Para nós sempre é uma dificuldade, mas o Senhor nos conduz! Lembro-me, em relação a isso, das palavras de Paulo VI – que os homens de hoje aceitam muito mais as testemunhas que os mestres, e se acolhem e aceitam os mestres é porque são testemunhas!
Porém, a nossa boa notícia não é apenas teórica, mas principalmente existencial: vidas que renascem, pessoas que saem dos seus túmulos, cegos vêem, e tantos outros sinais que fazem parte de testemunhar as maravilhas que Deus opera. E esse é o como somos chamados também a anunciar essa grande e bela notícia: e esse é o grande segredo – através do testemunho de vida das pessoas.
Abramos os olhos, os corações, as mentes e os braços para acolhermos – e com muita alegria – a alegria do anúncio de Cristo Ressuscitado, e assim, todo o nosso ser vibrará com esse acontecimento que entra na história, e assim, nós O anunciaremos aos irmãos e irmãs.
E é justamente aí que está a necessidade que temos de afirmar a boa nova da salvação a todos que, com abertura de coração, estejam cada vez ainda mais vivenciado o seu itinerário de santidade e caminho para a vida. E nós somos enviados para que a manhã da Ressurreição traga horizontes novos na vida de nosso povo.
De braços abertos, saiamos anunciando a todos a alegre e alvissareira notícia: Cristo Ressuscitou, verdadeiramente Ressuscitou – Aleluia! Este é o tempo da vida que renasce, e quando o Senhor costumeiramente nos faz vibrar com sua força e com todas as graças.
Por isso, nosso coração transborda de alegria e cantamos com toda a Igreja: “exulte o céu, e os Anjos triunfantes, mensageiros de Deus, desçam cantando; façam soar trombetas fulgurantes a vitória de um Rei, de um Rei anunciando”.
Uma feliz e santa Páscoa a todos!
Fonte: Arquidiocese do Rio
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro
Em nossa aldeia global, os fatos locais adquirem rapidamente projeção mundial. Ultimamente, os acontecimentos negativos, que machucam nossas comunidades, em pouco tempo atingem o mundo como um relâmpago, levando a comunidade internacional a participar das dores e flagelos! Aliás, parece que nós nos acostumamos tanto com esse tipo de comunicação que os bons acontecimentos mais raramente fazem sucesso na mídia
Aparentemente, fomos acostumados (quase diria condicionados) a gostar e consumir más notícias. Isso é muito claro quando lemos os números da audiência nos diversos tipos de mídia. Nem sempre a programação de boa qualidade e construtiva é apreciada pelas pessoas.
Essas reflexões eu as tenho há certo tempo. Estava imerso nesses pensamentos sobre como ajudar a mídia a ser portadora de formação, de boa notícia, de incentivo para a educação, da difusão da cultura, e isso interessando para a maioria das pessoas, quando me aprofundei na realidade que estamos para celebrar neste final de semana.
Estamos participando nestes dias do Tríduo Pascal, ápice do Ano Litúrgico, porque celebramos a Morte e Ressurreição do Senhor. Os três momentos litúrgicos, instituição da Eucaristia, morte na cruz e Ressurreição, nos acompanharão por todos os dias de nossas vidas, atualizados em cada missa, pois Jesus Cristo realizou a obra da redenção humana – morrendo, destruiu nossa morte e, ressuscitando, deu-nos nova vida.
Lamento que nem todos estejam motivados para viver esses momentos profundos de nossa fé: “fazer Páscoa”! Todos são chamados a participar intensamente desses momentos celebrativos, aprofundando nossa vida de fé e compartilhando com nossos irmãos a alegria de uma grande e bela notícia: Cristo Ressuscitou! E aí o questionamento: como dar essa boa notícia ao mundo de hoje de tal forma que as pessoas se interessem por ela e acolham-na com alegria e compromisso?
Lembrei-me exatamente disso ao ver a fácil difusão das más notícias, das fofocas e das maledicências! E isso, evidentemente, não apenas nas mídias sociais, mas em todo o nosso tecido social – infelizmente, também em nosso meio eclesial. Eis o nosso grande desafio nestes atuais tempos: anunciar ao mundo, guiados pela luz do Espírito Santo, que Deus é Pai, e enviou o Seu Filho, Jesus Cristo, que deu sua vida por nós e está vivo, ressuscitado, e fazê-lo de tal maneira que seja interessante e entusiasmante para todos.
O kerigma, início da evangelização, o anúncio explícito do Evangelho, que é justamente o anúncio da maior notícia já vista no cosmos; nós temos certeza de que é a resposta que todos aguardam, o anseio de todas as nações – a grande notícia da salvação conquistada por Cristo para todos nós, que porém, nem sempre conseguimos fazê-lo de forma com que muitos a acolham com alegria.
Como existe a dificuldade de fazer as pessoas se interessarem pelas boas notícias, e, diante da maior notícia de todos os tempos teremos duas possíveis respostas: de um lado, acolher e aceitar essa notícia ou, então, rejeitar e não aceitar. E a grande notícia é que Cristo Ressuscitou, verdadeiramente Ressuscitou – Aleluia! Esta é a grande notícia deste final de semana e a permanente mensagem dos cristãos. É realmente uma boa notícia, a melhor notícia que, mesmo sem saber, todos desejam, e que nós temos a missão de testemunhá-la e anunciá-la aos irmãos e irmãs.
Com a nova evangelização, Missão Continental, missão permanente, a Igreja no Brasil insiste para que valorizemos ainda mais o testemunho cristão pela vida, pela unidade, pelo serviço aos irmãos e também a lectio divina, a proclamação da Palavra, que nos ilumina e conduz a vida. Será que não é justamente isso que está criando dificuldades? Para nós sempre é uma dificuldade, mas o Senhor nos conduz! Lembro-me, em relação a isso, das palavras de Paulo VI – que os homens de hoje aceitam muito mais as testemunhas que os mestres, e se acolhem e aceitam os mestres é porque são testemunhas!
Porém, a nossa boa notícia não é apenas teórica, mas principalmente existencial: vidas que renascem, pessoas que saem dos seus túmulos, cegos vêem, e tantos outros sinais que fazem parte de testemunhar as maravilhas que Deus opera. E esse é o como somos chamados também a anunciar essa grande e bela notícia: e esse é o grande segredo – através do testemunho de vida das pessoas.
Abramos os olhos, os corações, as mentes e os braços para acolhermos – e com muita alegria – a alegria do anúncio de Cristo Ressuscitado, e assim, todo o nosso ser vibrará com esse acontecimento que entra na história, e assim, nós O anunciaremos aos irmãos e irmãs.
E é justamente aí que está a necessidade que temos de afirmar a boa nova da salvação a todos que, com abertura de coração, estejam cada vez ainda mais vivenciado o seu itinerário de santidade e caminho para a vida. E nós somos enviados para que a manhã da Ressurreição traga horizontes novos na vida de nosso povo.
De braços abertos, saiamos anunciando a todos a alegre e alvissareira notícia: Cristo Ressuscitou, verdadeiramente Ressuscitou – Aleluia! Este é o tempo da vida que renasce, e quando o Senhor costumeiramente nos faz vibrar com sua força e com todas as graças.
Por isso, nosso coração transborda de alegria e cantamos com toda a Igreja: “exulte o céu, e os Anjos triunfantes, mensageiros de Deus, desçam cantando; façam soar trombetas fulgurantes a vitória de um Rei, de um Rei anunciando”.
Uma feliz e santa Páscoa a todos!
Fonte: Arquidiocese do Rio
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