Publicado por Luizsantinacio em 07/6/2011 (1481 leituras)
Luiz Santinácio
Escritor
No domingo dedicado à Festa da Misericórdia, Sua Beatitude, Bento XVI, proclamou solenemente João Paulo II Bem-Aventurado ou Beato. Uma cerimônia concorrida e muito bem participada, porquanto se avistavam representações diplomáticas de várias nações, além de chefes de estado.
O Papa João Paulo II, por muitos anos Arcebispo de Cracóvia e Primaz da Polônia também foi um Príncipe da Igreja e, anos mais tarde, em 1978, no conclave que o elegeu Papa, tornou-se o Pontífice Máximo da Igreja Católica.
João Paulo II empreendeu esforços sobre-humanos para conduzir a Igreja ao terceiro milênio e o fez com fé intrépida no Cristo Senhor amparado pela Virgem Maria, a quem se confiou e confiou, desde o início o seu pontificado. Seu lema: Totus Tuus bem o exprimia e a toda sua vida como Pastor Supremo da Igreja.
Se o Beato João XXIII foi para a Igreja o homem que abriu suas portas e janelas a fim de que o Espírito Santo nela soprasse novo hálito, o neobeato João Paulo II é aquele que para a Igreja abriu-lhes as portas, melhor dizer, escancarou as portas, para se deixar inebriar pela Misericórdia Redentora do Senhor sob os auspícios e a proteção da Virgem, Mãe de Deus e nossa.
Fato interessante que, a muitos passou de forma despercebida: João XXIII alçou aos céus na vigília de Pentecostes... João Paulo II alçou aos céus dentro da Oitava da Páscoa, em meio a preparação à festa da Misericórdia por ele mesmo instituída à Igreja Latina.
João Paulo II, Santo Subito, assim proclamou em uníssono os presentes na Piazza S. Pietro, dentro dos muros vaticanos quando dos funerais e do seu sepultamento em 2005. Repetidamente o fez, toda a multidão presente na mesma Piazza di s. Pietro, no domingo da Misericórdia, quando da proclamação de Beato: Santo Subito!
Um santo não se faz. Um santo é moldado pela misericórdia divina no cotidiano de sua vida de dedicação plena a Deus. Seria aquele conceito tão bem expresso pela cultura judaica, no hebraico antigo kadosh, que em nossa expressão alcança o similar "separado para", "justificado", numa alusão ao conceito de justificação dos gregos e admitido pelo apóstolo Paulo. Todo o povo presente na Piazza di S. Pietro, povos e nações, gentes de todas as línguas entendiam muito bem o significado daquele momento à vida de cada um e à vida da Igreja: momento de santidade.
Assim foi João Paulo II, um homem que viveu cada momento de sua vida com intensidade santidade cristológica. Cônscio de sua fé, de sua adesão concreta ao projeto de Deus em sua vida e, por consequência, na vida da Igreja.
Por algumas vezes tive a oportunidade de ouvi-lo bem próximo, não pelas ondas da Rádio Vaticana. Mas, como por entre algumas das suas viagens apostólicas, principalmente no Brasil.
Lembro-me, com bastante solidez toda a primeira visita ao Brasil, em pleno regime militar. De sua visita a Comunidade de Alagados (1980), na Sé Primacial brasiliana, então sob o governo do saudoso Cardeal Brandão Vilela. Do encontro de um Santo com outro Santo (1991) e, cá, a hoje Bem-Aventurada Irmã Dulce, beatificada em solene cerimônia presidida pelo Arcebispo Emérito de São Salvador da Bahia, o Cardeal Geraldo Magela Agnelo, que o fez com mandato apostólico de Sua Santidade, Bento XVI. E, depois, as outras mais específicas, como o Encontro Mundial com as Famílias, na cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro. Aquele encontro alavancou muitos e muitos de diversas confissões religiosas ao Aterro do Flamengo, zona sul do Rio, aos pés do Monumento ao Soldado Desconhecido e sob os braços abertos do Cristo Redentor. Dom Filipo Santoro, então Auxiliar do Rio de Janeiro e atualmente Bispo da Diocese de Petrópolis foi o grande preparador daquele Encontro, tarefa que o próprio Papa João Paulo II designara ao escolher o Rio de Janeiro como sede daquele evento mundial. E o Rio de Janeiro acolheu o Papa de braços abertos. O Brasil e toda comunidade latino-americana abraçou ao Papa.
Pois bem, temos um novo beato. Temos, como brada o povo, um potencial novo Santo! E todo o Povo é cônscio desse grau de santidade já em vida. Basta-nos olhar para a figura de João Paulo e nos vem à mente seus escritos, sua fé, sua devoção mariana, seu amor à Igreja e, sobretudo, sua dedicação plena e constante a cada ser humano, de forma mais indistinta. Um homem separado por Deus, para Ele voltado, por Ele preparado e devolvido a nós para que nos guiasse ao Pai. Isso ele o fez com maestria de um Homem de Deus, um Gigante da Fé. pois então, como todo aquele Povo entre os quais estava, repito o clamor: João Paulo II, Santo Subito!
O papa Bento fez uma breve referência à beatificação de Irmã Dulce, quando da saudação durante o Regina Caeli, na Piazza di S. Pietro, no Vaticano:
"A fé em Jesus significa acompanhá-lo diariamente, nas ações singelas do dia (...) Só pouco a pouco ele constrói na grande história da humanidade 'sua' história", afirmou o Pontífice aos cidadãos a partir do balcão na Praça de São Pedro do Vaticano durante a reza que substitui o Ângelus na Páscoa.
Jesus "se transforma em homem, mas de um modo no qual pôde ser ignorado por seus contemporâneos, pelas forças autorizadas da história. Padece e morre e, como ressuscitado, quer chegar à humanidade só através da fé dos seus, aos quais se manifesta", acrescentou.
Durante aquele quinto domingo de Páscoa, Bento XVI afirmou que crer em Deus e em Jesus não são dois fatos separados, mas um "único ato de fé". "O filho de Deus, com sua encarnação, morte e ressurreição, nos libertou da escravidão do pecado para dar-nos a liberdade dos filhos de Deus e fez-nos conhecer o rosto de Deus que é amor: Deus pode ser visto, é visível em Cristo", afirmou.
Escritor
No domingo dedicado à Festa da Misericórdia, Sua Beatitude, Bento XVI, proclamou solenemente João Paulo II Bem-Aventurado ou Beato. Uma cerimônia concorrida e muito bem participada, porquanto se avistavam representações diplomáticas de várias nações, além de chefes de estado.
O Papa João Paulo II, por muitos anos Arcebispo de Cracóvia e Primaz da Polônia também foi um Príncipe da Igreja e, anos mais tarde, em 1978, no conclave que o elegeu Papa, tornou-se o Pontífice Máximo da Igreja Católica.
João Paulo II empreendeu esforços sobre-humanos para conduzir a Igreja ao terceiro milênio e o fez com fé intrépida no Cristo Senhor amparado pela Virgem Maria, a quem se confiou e confiou, desde o início o seu pontificado. Seu lema: Totus Tuus bem o exprimia e a toda sua vida como Pastor Supremo da Igreja.
Se o Beato João XXIII foi para a Igreja o homem que abriu suas portas e janelas a fim de que o Espírito Santo nela soprasse novo hálito, o neobeato João Paulo II é aquele que para a Igreja abriu-lhes as portas, melhor dizer, escancarou as portas, para se deixar inebriar pela Misericórdia Redentora do Senhor sob os auspícios e a proteção da Virgem, Mãe de Deus e nossa.
Fato interessante que, a muitos passou de forma despercebida: João XXIII alçou aos céus na vigília de Pentecostes... João Paulo II alçou aos céus dentro da Oitava da Páscoa, em meio a preparação à festa da Misericórdia por ele mesmo instituída à Igreja Latina.
João Paulo II, Santo Subito, assim proclamou em uníssono os presentes na Piazza S. Pietro, dentro dos muros vaticanos quando dos funerais e do seu sepultamento em 2005. Repetidamente o fez, toda a multidão presente na mesma Piazza di s. Pietro, no domingo da Misericórdia, quando da proclamação de Beato: Santo Subito!
Um santo não se faz. Um santo é moldado pela misericórdia divina no cotidiano de sua vida de dedicação plena a Deus. Seria aquele conceito tão bem expresso pela cultura judaica, no hebraico antigo kadosh, que em nossa expressão alcança o similar "separado para", "justificado", numa alusão ao conceito de justificação dos gregos e admitido pelo apóstolo Paulo. Todo o povo presente na Piazza di S. Pietro, povos e nações, gentes de todas as línguas entendiam muito bem o significado daquele momento à vida de cada um e à vida da Igreja: momento de santidade.
Assim foi João Paulo II, um homem que viveu cada momento de sua vida com intensidade santidade cristológica. Cônscio de sua fé, de sua adesão concreta ao projeto de Deus em sua vida e, por consequência, na vida da Igreja.
Por algumas vezes tive a oportunidade de ouvi-lo bem próximo, não pelas ondas da Rádio Vaticana. Mas, como por entre algumas das suas viagens apostólicas, principalmente no Brasil.
Lembro-me, com bastante solidez toda a primeira visita ao Brasil, em pleno regime militar. De sua visita a Comunidade de Alagados (1980), na Sé Primacial brasiliana, então sob o governo do saudoso Cardeal Brandão Vilela. Do encontro de um Santo com outro Santo (1991) e, cá, a hoje Bem-Aventurada Irmã Dulce, beatificada em solene cerimônia presidida pelo Arcebispo Emérito de São Salvador da Bahia, o Cardeal Geraldo Magela Agnelo, que o fez com mandato apostólico de Sua Santidade, Bento XVI. E, depois, as outras mais específicas, como o Encontro Mundial com as Famílias, na cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro. Aquele encontro alavancou muitos e muitos de diversas confissões religiosas ao Aterro do Flamengo, zona sul do Rio, aos pés do Monumento ao Soldado Desconhecido e sob os braços abertos do Cristo Redentor. Dom Filipo Santoro, então Auxiliar do Rio de Janeiro e atualmente Bispo da Diocese de Petrópolis foi o grande preparador daquele Encontro, tarefa que o próprio Papa João Paulo II designara ao escolher o Rio de Janeiro como sede daquele evento mundial. E o Rio de Janeiro acolheu o Papa de braços abertos. O Brasil e toda comunidade latino-americana abraçou ao Papa.
Pois bem, temos um novo beato. Temos, como brada o povo, um potencial novo Santo! E todo o Povo é cônscio desse grau de santidade já em vida. Basta-nos olhar para a figura de João Paulo e nos vem à mente seus escritos, sua fé, sua devoção mariana, seu amor à Igreja e, sobretudo, sua dedicação plena e constante a cada ser humano, de forma mais indistinta. Um homem separado por Deus, para Ele voltado, por Ele preparado e devolvido a nós para que nos guiasse ao Pai. Isso ele o fez com maestria de um Homem de Deus, um Gigante da Fé. pois então, como todo aquele Povo entre os quais estava, repito o clamor: João Paulo II, Santo Subito!
O papa Bento fez uma breve referência à beatificação de Irmã Dulce, quando da saudação durante o Regina Caeli, na Piazza di S. Pietro, no Vaticano:
Desejo também unir-me à alegria dos pastores e fiéis reunidos em Salvador para a beatificação da Irmã Dulce, que deixou sua marca de caridade ao serviço destes últimos, fazendo com que todo o Brasil visse nela 'a mãe dos desamparados'"
"A fé em Jesus significa acompanhá-lo diariamente, nas ações singelas do dia (...) Só pouco a pouco ele constrói na grande história da humanidade 'sua' história", afirmou o Pontífice aos cidadãos a partir do balcão na Praça de São Pedro do Vaticano durante a reza que substitui o Ângelus na Páscoa.
Jesus "se transforma em homem, mas de um modo no qual pôde ser ignorado por seus contemporâneos, pelas forças autorizadas da história. Padece e morre e, como ressuscitado, quer chegar à humanidade só através da fé dos seus, aos quais se manifesta", acrescentou.
Durante aquele quinto domingo de Páscoa, Bento XVI afirmou que crer em Deus e em Jesus não são dois fatos separados, mas um "único ato de fé". "O filho de Deus, com sua encarnação, morte e ressurreição, nos libertou da escravidão do pecado para dar-nos a liberdade dos filhos de Deus e fez-nos conhecer o rosto de Deus que é amor: Deus pode ser visto, é visível em Cristo", afirmou.
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