Publicado por Luizsantinacio em 01/7/2011 (882 leituras)
Teologia e Pensamento Pós-Moderno
O anúncio de Jesus à conversão nos chama à santidade
Luiz Santinácio ¹
Cientificismo
Recentemente o papa Bento instituiu o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização e propôs à Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos estudar o tema Nova Evangelizatio ad cristianam fidem tradendam – A nova Evangelização para a transmissão da fé cristã.
O Papa quis identificar alguns nós ou obstáculos que tornam refratários à mensagem do Evangelho alguns Países de antiga tradição cristã e, também, muitas outras Comunidades espalhadas pelo Orbe. Em seu Motu proprio, Bento XVI esclarece: os nós ou os desafios que eu pretendo levar em consideração e aos quais eu gostaria de tentar dar uma resposta de fé são o cientificismo, o secularismo e o racionalismo. O apóstolo Paulo classifica esses desafios como as muralhas e fortalezas que se levantam contra o conhecimento de Deus (cf. 2Cor 10, 4).
Mas o que é o cientificismo?
Buscando entender a letra de Bento XVI acerca do cientificismo, volto a João Paulo, o Grande em sua exposição: (...) o cientificismo é uma concepção filosófica que se recusa a reconhecer formas de conhecimento distintas daquelas que são próprias das ciências positivas, relegando para o âmbito da pura imaginação tanto o conhecimento religioso e teológico, como o saber ético e estético.
Trata-se de uma forma nova de pensar, e tal forma alcança a Igreja em todos os âmbitos e, primordialmente, o Clero. Sua metodologia tem por trás uma lógica secularizante, secularizada e secularizadora que busca modificar o modo de ser, de agir, de pensar dos membros da Igreja e, como formadora de opiniões e de consciências críticas e reflexivas que é, modificar então, as consciências individuais alcançando o consciente coletivo, firmando, por assim dizer, a não-necessidade da hipótese de Deus, ou seja, a inutilidade da Divindade.
O cientificismo retira do centro do universo, junto ao Homem, o próprio Cristo. Reduze-o a um acidente histórico, isolado do cosmo como um episódio postiço, um intruso ou um perdido na imensidão hostil e esmagadora do Universo, conforme Blondel. Atua, na prática, o cientificismo na Cultura, na mentalidade do Homem enquanto Humanidade. Sente-se e pre-sente-se excessos no ecologismo. Também no âmbito religioso. Formas difusas de religiosidade onde o contacto e a sintonia com a energia do cosmo tomam o lugar do contacto com Deus, como caminho de salvação.
Rejeitar o cientificismo ou, ser refratário diante de tal realidade?
Veja, rejeitar o cientificismo não deve levar o Homem à rejeição ou à desconfiança na ciência, bem como, rejeitar ao racionalismo não deve levar a rejeitar a razão. Fazer o contrário é um deserviço à Fé, antes mesmo que à ciência. A história ensina, de forma dolorida, onde iremos com uma atitude de tal porte.
O Beato Newman, nove anos após a publicação da obra de Darwin sobre a evolução das espécies, quando não poucas pessoas mostraram-se conturbadas e perplexas, ele assegurou, exprimindo um juízo que antecipava o juízo atual da Igreja sobre a não incompatibilidade da teoria com a fé católica.
A grandiosidade da fé de Newman permitiu enxergar com serenidade as descobertas científicas presentes ou futuras e, nestas descobertas, uma conexão indireta com as opiniões religiosas: “Como o Criador descansou no sétimo dia após o trabalho realizado e ainda hoje ele continua agindo, assim ele comunicou de uma vez por todas o Credo no princípio e continua favorecendo seu desenvolvimento e garantindo seu crescimento”.
Qual a atitude da Igreja frente a tal realidade?
Expressão concreta é a Academia Pontifícia das Ciências, onde cientistas renomados de todo o mundo, crentes e não-crentes, encontram-se para expor e debater suas ideias sobre problemas de interesse comum à ciência e à Fé. A Igreja entende que toda argumentação cientificista revelaram-se falsas, não do ponto de vista do raciocínio ou da argumentação teológica e da fé, mas da própria análise de resultados da ciência e das opiniões de vários cientistas ilustres do passado e do presente
Como o ministro ordenado deve conduzir-se e conduzir frente ao cientificismo, nessa realidade pós-moderna?
A teologia latina insiste que o propósito da vida não é a divinização mas, a aquisição da santidade, mediante a conversão. O Verbo fez-se carne, fez-se homem para redimir a Humanidade e para pagar a dívida com a justiça de Deus. Depois de Agostinho Hiponensis, a teologia latina insiste acerca daquilo que o Cristo veio tirar: o pecado.
Santidade! Eis a condição essencial da nova criatura (cf. 2Cor 5, 17; cf. Gl 6, 15) que participa da própria vida divina.
A santidade, no sentido teologal e espiritual-moral é a ausência de pecado e a total dedicação a Deus. É o estado de graça habitual. A santidade como dom é fruto do batismo, sacramento renovador (cf. 1Cor 1,1; Fl 1, 1; Cl 1, 2). Aumentando-se a graça, aumenta-se a santidade
A santidade se manifesta nos frutos da graça que o Espírito Santo produz nos fiéis e o apóstolo Paulo apresenta a lista dos frutos do Espírito Santo diante dos quais pode-se verificar se alguém tem ou não, em si, a presença atuante do Espírito de Deus. Existe a presença do Espírito onde há amor, alegria, paz, mansidão, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio, castidade.
E, mais ainda, quando o contrário se observa, não está presente o Espírito Santo. Se se observa as obras da carne: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, divisões, inveja, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas, a Comunidade, as Ovelhas, o redil não caminha à luz do Espírito e o condutor pode estar revestido da pele de ovelha mas é um lobo voraz.
Quem é chamado à santidade?
Todos! Todos são chamados à santidade: Bispos, Sacerdotes, Diáconos, candidatos à vida religiosa e ao sacerdócio ministerial e hierárquico, religiosas e religiosos, as consagradas e os consagrados, os esposos e pais, todos, indistintamente.
E, quais são os meios indicados pela Igreja para responder ao século?
A Palavra de Deus, a participação nos Sacramentos, sobretudo a santíssima Eucaristia após a devida participação no sacramento da Penitência e Reconciliação (Confissão); oração pessoal e comunitária; serviço aos irmãos; exercício das virtudes à imitação de Cristo em meio as perseguições e, sobretudo, a purificação dos afetos.
Há, ainda, os meios específicos: os Bispos conformem-se à imagem de Cristo; os Sacerdotes procurem viver o próprio sacerdócio, cresçam no amor a Deus e ao próximo, comunhão fraterna entre si, testemunho vivo de Deus, imitação dos santos sacerdotes do passado que deixaram preclaro modelo de santidade, tomar consciência do que fazem e imitar o que celebram, saber haurir dos próprios trabalhos pastorais, apesar dos perigos e dificuldades, uma santidade mais elevada, alimentar seu apostolado pela abundância da contemplação, estar em comunhão com o seu Bispo. Os Diáconos devem guardar-se puros de todo vício e agradar a Deus. Os Clérigos conformem sua mente e seu coração à graça da vocação divina, cultivando a oração assídua e a piedade. Os Esposos e Pais encontrem fonte de sua santificação seguindo o próprio caminho, em amor fiel.
Conversão e Santidade: espiritualidade teológica, vida e pastoral
Conhecer o princípio fundamental de toda santidade através da Sã Tradição, dos Padres da Igreja, dos escritos teológicos e da doutrina conciliar resulta na perfeição da caridade. Esta caridade é dom de Deus, pois Ele mesmo “enviou o Espírito Santo para interiormente (...) mover os fieis a amarem a Deus com todo coração, toda alma, toda mente e toda a sua força... E se amassem mutuamente como Cristo os amou” (cf. Jo 13, 34; 15, 12; LG n. 40).
Não hesite, pois, abrir os ouvidos à recomendação do apóstolo Pedro: “Como é santo Aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo” (1Pd 1, 15-16).
¹ - Luiz Santinácio é escritor. Artigo publicado na edição n.30 da Revista Paróquias & Casas Religiosas, Maio/Junho 2011, São Paulo, Brasil.
O anúncio de Jesus à conversão nos chama à santidade
Luiz Santinácio ¹
Cientificismo
Recentemente o papa Bento instituiu o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização e propôs à Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos estudar o tema Nova Evangelizatio ad cristianam fidem tradendam – A nova Evangelização para a transmissão da fé cristã.
O Papa quis identificar alguns nós ou obstáculos que tornam refratários à mensagem do Evangelho alguns Países de antiga tradição cristã e, também, muitas outras Comunidades espalhadas pelo Orbe. Em seu Motu proprio, Bento XVI esclarece: os nós ou os desafios que eu pretendo levar em consideração e aos quais eu gostaria de tentar dar uma resposta de fé são o cientificismo, o secularismo e o racionalismo. O apóstolo Paulo classifica esses desafios como as muralhas e fortalezas que se levantam contra o conhecimento de Deus (cf. 2Cor 10, 4).
Mas o que é o cientificismo?
Buscando entender a letra de Bento XVI acerca do cientificismo, volto a João Paulo, o Grande em sua exposição: (...) o cientificismo é uma concepção filosófica que se recusa a reconhecer formas de conhecimento distintas daquelas que são próprias das ciências positivas, relegando para o âmbito da pura imaginação tanto o conhecimento religioso e teológico, como o saber ético e estético.
Trata-se de uma forma nova de pensar, e tal forma alcança a Igreja em todos os âmbitos e, primordialmente, o Clero. Sua metodologia tem por trás uma lógica secularizante, secularizada e secularizadora que busca modificar o modo de ser, de agir, de pensar dos membros da Igreja e, como formadora de opiniões e de consciências críticas e reflexivas que é, modificar então, as consciências individuais alcançando o consciente coletivo, firmando, por assim dizer, a não-necessidade da hipótese de Deus, ou seja, a inutilidade da Divindade.
O cientificismo retira do centro do universo, junto ao Homem, o próprio Cristo. Reduze-o a um acidente histórico, isolado do cosmo como um episódio postiço, um intruso ou um perdido na imensidão hostil e esmagadora do Universo, conforme Blondel. Atua, na prática, o cientificismo na Cultura, na mentalidade do Homem enquanto Humanidade. Sente-se e pre-sente-se excessos no ecologismo. Também no âmbito religioso. Formas difusas de religiosidade onde o contacto e a sintonia com a energia do cosmo tomam o lugar do contacto com Deus, como caminho de salvação.
Rejeitar o cientificismo ou, ser refratário diante de tal realidade?
Veja, rejeitar o cientificismo não deve levar o Homem à rejeição ou à desconfiança na ciência, bem como, rejeitar ao racionalismo não deve levar a rejeitar a razão. Fazer o contrário é um deserviço à Fé, antes mesmo que à ciência. A história ensina, de forma dolorida, onde iremos com uma atitude de tal porte.
O Beato Newman, nove anos após a publicação da obra de Darwin sobre a evolução das espécies, quando não poucas pessoas mostraram-se conturbadas e perplexas, ele assegurou, exprimindo um juízo que antecipava o juízo atual da Igreja sobre a não incompatibilidade da teoria com a fé católica.
A grandiosidade da fé de Newman permitiu enxergar com serenidade as descobertas científicas presentes ou futuras e, nestas descobertas, uma conexão indireta com as opiniões religiosas: “Como o Criador descansou no sétimo dia após o trabalho realizado e ainda hoje ele continua agindo, assim ele comunicou de uma vez por todas o Credo no princípio e continua favorecendo seu desenvolvimento e garantindo seu crescimento”.
Qual a atitude da Igreja frente a tal realidade?
Expressão concreta é a Academia Pontifícia das Ciências, onde cientistas renomados de todo o mundo, crentes e não-crentes, encontram-se para expor e debater suas ideias sobre problemas de interesse comum à ciência e à Fé. A Igreja entende que toda argumentação cientificista revelaram-se falsas, não do ponto de vista do raciocínio ou da argumentação teológica e da fé, mas da própria análise de resultados da ciência e das opiniões de vários cientistas ilustres do passado e do presente
Como o ministro ordenado deve conduzir-se e conduzir frente ao cientificismo, nessa realidade pós-moderna?
A teologia latina insiste que o propósito da vida não é a divinização mas, a aquisição da santidade, mediante a conversão. O Verbo fez-se carne, fez-se homem para redimir a Humanidade e para pagar a dívida com a justiça de Deus. Depois de Agostinho Hiponensis, a teologia latina insiste acerca daquilo que o Cristo veio tirar: o pecado.
Santidade! Eis a condição essencial da nova criatura (cf. 2Cor 5, 17; cf. Gl 6, 15) que participa da própria vida divina.
A santidade, no sentido teologal e espiritual-moral é a ausência de pecado e a total dedicação a Deus. É o estado de graça habitual. A santidade como dom é fruto do batismo, sacramento renovador (cf. 1Cor 1,1; Fl 1, 1; Cl 1, 2). Aumentando-se a graça, aumenta-se a santidade
A santidade se manifesta nos frutos da graça que o Espírito Santo produz nos fiéis e o apóstolo Paulo apresenta a lista dos frutos do Espírito Santo diante dos quais pode-se verificar se alguém tem ou não, em si, a presença atuante do Espírito de Deus. Existe a presença do Espírito onde há amor, alegria, paz, mansidão, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio, castidade.
E, mais ainda, quando o contrário se observa, não está presente o Espírito Santo. Se se observa as obras da carne: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, divisões, inveja, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas, a Comunidade, as Ovelhas, o redil não caminha à luz do Espírito e o condutor pode estar revestido da pele de ovelha mas é um lobo voraz.
Quem é chamado à santidade?
Todos! Todos são chamados à santidade: Bispos, Sacerdotes, Diáconos, candidatos à vida religiosa e ao sacerdócio ministerial e hierárquico, religiosas e religiosos, as consagradas e os consagrados, os esposos e pais, todos, indistintamente.
E, quais são os meios indicados pela Igreja para responder ao século?
A Palavra de Deus, a participação nos Sacramentos, sobretudo a santíssima Eucaristia após a devida participação no sacramento da Penitência e Reconciliação (Confissão); oração pessoal e comunitária; serviço aos irmãos; exercício das virtudes à imitação de Cristo em meio as perseguições e, sobretudo, a purificação dos afetos.
Há, ainda, os meios específicos: os Bispos conformem-se à imagem de Cristo; os Sacerdotes procurem viver o próprio sacerdócio, cresçam no amor a Deus e ao próximo, comunhão fraterna entre si, testemunho vivo de Deus, imitação dos santos sacerdotes do passado que deixaram preclaro modelo de santidade, tomar consciência do que fazem e imitar o que celebram, saber haurir dos próprios trabalhos pastorais, apesar dos perigos e dificuldades, uma santidade mais elevada, alimentar seu apostolado pela abundância da contemplação, estar em comunhão com o seu Bispo. Os Diáconos devem guardar-se puros de todo vício e agradar a Deus. Os Clérigos conformem sua mente e seu coração à graça da vocação divina, cultivando a oração assídua e a piedade. Os Esposos e Pais encontrem fonte de sua santificação seguindo o próprio caminho, em amor fiel.
Conversão e Santidade: espiritualidade teológica, vida e pastoral
Conhecer o princípio fundamental de toda santidade através da Sã Tradição, dos Padres da Igreja, dos escritos teológicos e da doutrina conciliar resulta na perfeição da caridade. Esta caridade é dom de Deus, pois Ele mesmo “enviou o Espírito Santo para interiormente (...) mover os fieis a amarem a Deus com todo coração, toda alma, toda mente e toda a sua força... E se amassem mutuamente como Cristo os amou” (cf. Jo 13, 34; 15, 12; LG n. 40).
Não hesite, pois, abrir os ouvidos à recomendação do apóstolo Pedro: “Como é santo Aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo” (1Pd 1, 15-16).
¹ - Luiz Santinácio é escritor. Artigo publicado na edição n.30 da Revista Paróquias & Casas Religiosas, Maio/Junho 2011, São Paulo, Brasil.
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