Publicado por Licapires em 26/7/2011 (1525 leituras)
Elisa Pires
“Ora, cristãos, se uma alma, ainda sem o respeito da salvação vale tanto; as nossas almas, que pela misericórdia de Deus ainda estão em estado de salvação, por que as estimamos tão pouco?”(VIEIRA, 1907, v. 2, p. 375).
Não se espante com o título, esse site não virou um espaço para fofoca de celebridades. Tampouco iremos ficar especulando sobre como ela morreu ou o que fez em seus últimos momentos. Essa parte já é suficientemente explorada pela mídia. Exatamente por isso não iremos nos ater a esses fatos, porque eles não são a parte que nos interessa. Pode também soar estranho - para cristãos, porque ela é o espelho de muita coisa errada “do mundo” e não serve de exemplo para os jovens que seguem a Cristo; e para quem não tem religião nenhuma, porque nada nela lembra algum assunto ligado à religiosidade - falar de Amy Winehouse e de Jesus Cristo.
Entretanto, existe uma ligação visível entre sua morte e a ausência/relativismo da religião. Sabe o que me abala na morte de Amy Winehouse? O fato de ela ter praticamente a minha idade. E que com apenas 27 anos, a baixa autoestima e a não consciência de si mesma fizeram com que ela enveredasse por caminhos praticamente irreversíveis. Ela é espelho de muitos que estão perdidos, muitos que ainda não entenderam o que é realmente viver, ser livre, ser feliz. Ela é o espelho de uma sociedade que estimula comportamentos os quais depois lamenta terem sido seguidos por uma juventude cada vez menos consciente. Só que esse lamento, às vezes, chega tarde demais.
Não estou chateada porque a artista morreu: estou pensativa porque uma moça se perdeu dentro de si mesma e não conseguiu mais se achar. E como ela, tantos seguem o mesmo caminho. A sociedade os julga e os condena mas não faz absolutamente NADA para ajudá-los a entender o quanto são preciosos.
São Tomás de Aquino disse uma vez que “enquanto o amor humano tende a se apossar do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada”. Eu estendo um pouco essa concepção. O amor humano apossa-se do bem e o mundo o destrói. Ao entregar-se aos amores do mundo, Amy se perdeu pensando que felicidade era um momento que só poderia ser vivido se estivesse em êxtase com o álcool, as drogas, a sexualidade desregrada. E não só ela: todos os jovens que frequentam esses bailes para “pegar geral”, todas as meninas que acham que se comprometer é para os fracos, que homem tem que sofrer, que a roupa curta é que é ótima porque os caras olham mesmo; todos os rapazes que enxergam muitas mulheres como pedaços de carne em uma vitrine, que traem as namoradas porque namoro é pra isso mesmo, que pensam que “se casar e não der certo, é só separar”, essa cultura arraigada de que não tem nada demais, nunca nada tem nada demais.
Novelas, filmes, músicas, festas, O Segredo, livros de autoajuda: tudo corrobora para que hoje em dia as pessoas relativizem tudo e entendam que elas se bastam. Interessante que, apesar de crerem que se bastam e são autossuficientes, dependem de amores de homens ou mulheres para serem felizes, da aprovação dos colegas para ficarem bem. Vejam bem, estou dizendo DEPENDEM. Depender do outro nunca foi e nem será saudável. Todo mundo sabe disso, todos falam isso a plenos pulmões, mas é o que mais acontece.
Muitos encontram-se na mesma situação, muitos afligem-se porque o namorado/ficante/sei-lá-o-quê foi embora. Muitos revoltam-se porque o outro o feriu. E aí, esses muitos começam a crer que apenas eles se bastam. E pensam que são felizes quando estão dançando, beijando, transando. Acham mesmo. Até o momento que se confrontam com tudo o que fizeram, como Amy se confrontava o tempo inteiro. Suas letras eram um pedido de socorro. As pessoas compravam seus cds, iam a seus shows, cantavam, cantavam. Mas quem entendia o que ela gritava dentro dela mesma?
Quantos jovens que se dizem católicos estão tão perdidos quanto ela porque não aceitam o que a Igreja diz? Aceitam os 10 mandamentos (ou 9, 8, 7, depende do momento que estão vivendo) mas não aceitam o magistério da Igreja. E, porque vivem num relativismo entranhado, pensam que não tem nada demais. É um pensamento do *eu acredito em Deus, vou à missa, comungo, mas não aceito tudo o que a Igreja fala*. "Nesse sentido, é inconsistente afirmar-se católico, dizer que crê na eucaristia, que Jesus é Deus, defender a intercessão dos santos e ao mesmo tempo discordar do Magistério em questões como o aborto, a eutanásia, a contracepção, entre outras. Se a Igreja não tem autoridade para afirmar que essas práticas violam a lei moral, então todo o depósito doutrinário que professamos não tem fundamento(…) Esta mesma Igreja que, em sua autoridade, apresentou-nos Deus e Cristo como conhecemos, também nos apresenta os Seus ensinamentos. Se não cremos que o Espírito Santo instruiu sua Igreja no caminho da verdade, como prometera Nosso Senhor, veremos, mais cedo ou mais tarde, que nossa fé não tem sentido" (Tarcísio A.C., "É Possível Ser Parcialmente Católico?").
“O amor divino cria o bem na criatura amada.” Quantos buscam a satisfação em coisas terrenas por não entenderem que nossa alma só descansa quando encontra o verdadeiro amor, o amor do Pai.
Tenho quase certeza de que muitos vão parar de ler aqui (se já não queriam parar antes) porque vão me chamar “conservadora” e os conservadores não tem vez. Condenar práticas consideradas extremamente comuns é feio, não é? Nós perdemos um pouco o crédito, afinal a maioria das pessoas não sabe mais o que é A Verdade e pensam que nós estamos sendo retrógrados ou intolerantes. Assim como falar de Deus nesses momentos pode, para alguns, soar piegas e até fazer com que as pessoas que concordaram comigo até agora pensem que eu estou “apelando” ou passem a me achar menos lógica ou inteligente. Infelizmente. Mas a verdade é que somente estando n’Ele e com Ele conseguimos ser nós mesmos, simplesmente porque passamos a nos enxergar como Ele nos vê.
Falta Deus no mundo sim. Mais quanta tristeza precisa acontecer para as pessoas perceberem isso?
“Ora, cristãos, se uma alma, ainda sem o respeito da salvação vale tanto; as nossas almas, que pela misericórdia de Deus ainda estão em estado de salvação, por que as estimamos tão pouco?”(VIEIRA, 1907, v. 2, p. 375).
Não se espante com o título, esse site não virou um espaço para fofoca de celebridades. Tampouco iremos ficar especulando sobre como ela morreu ou o que fez em seus últimos momentos. Essa parte já é suficientemente explorada pela mídia. Exatamente por isso não iremos nos ater a esses fatos, porque eles não são a parte que nos interessa. Pode também soar estranho - para cristãos, porque ela é o espelho de muita coisa errada “do mundo” e não serve de exemplo para os jovens que seguem a Cristo; e para quem não tem religião nenhuma, porque nada nela lembra algum assunto ligado à religiosidade - falar de Amy Winehouse e de Jesus Cristo.
Entretanto, existe uma ligação visível entre sua morte e a ausência/relativismo da religião. Sabe o que me abala na morte de Amy Winehouse? O fato de ela ter praticamente a minha idade. E que com apenas 27 anos, a baixa autoestima e a não consciência de si mesma fizeram com que ela enveredasse por caminhos praticamente irreversíveis. Ela é espelho de muitos que estão perdidos, muitos que ainda não entenderam o que é realmente viver, ser livre, ser feliz. Ela é o espelho de uma sociedade que estimula comportamentos os quais depois lamenta terem sido seguidos por uma juventude cada vez menos consciente. Só que esse lamento, às vezes, chega tarde demais.
Não estou chateada porque a artista morreu: estou pensativa porque uma moça se perdeu dentro de si mesma e não conseguiu mais se achar. E como ela, tantos seguem o mesmo caminho. A sociedade os julga e os condena mas não faz absolutamente NADA para ajudá-los a entender o quanto são preciosos.
São Tomás de Aquino disse uma vez que “enquanto o amor humano tende a se apossar do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada”. Eu estendo um pouco essa concepção. O amor humano apossa-se do bem e o mundo o destrói. Ao entregar-se aos amores do mundo, Amy se perdeu pensando que felicidade era um momento que só poderia ser vivido se estivesse em êxtase com o álcool, as drogas, a sexualidade desregrada. E não só ela: todos os jovens que frequentam esses bailes para “pegar geral”, todas as meninas que acham que se comprometer é para os fracos, que homem tem que sofrer, que a roupa curta é que é ótima porque os caras olham mesmo; todos os rapazes que enxergam muitas mulheres como pedaços de carne em uma vitrine, que traem as namoradas porque namoro é pra isso mesmo, que pensam que “se casar e não der certo, é só separar”, essa cultura arraigada de que não tem nada demais, nunca nada tem nada demais.
Novelas, filmes, músicas, festas, O Segredo, livros de autoajuda: tudo corrobora para que hoje em dia as pessoas relativizem tudo e entendam que elas se bastam. Interessante que, apesar de crerem que se bastam e são autossuficientes, dependem de amores de homens ou mulheres para serem felizes, da aprovação dos colegas para ficarem bem. Vejam bem, estou dizendo DEPENDEM. Depender do outro nunca foi e nem será saudável. Todo mundo sabe disso, todos falam isso a plenos pulmões, mas é o que mais acontece.
Quando ele vai embora / o sol se põe/ele leva o dia embora / mas sou crescidinha e do seu jeito/neste tom triste as minhas lágrimas secam sozinhas. Gostaria de dizer que não me arrependo / Que não há dívidas emocionais / Porque, quando a gente se despede, o sol se põe / Nosso romance acabou / A sua sombra me cobre
(Amy Winehouse)
Muitos encontram-se na mesma situação, muitos afligem-se porque o namorado/ficante/sei-lá-o-quê foi embora. Muitos revoltam-se porque o outro o feriu. E aí, esses muitos começam a crer que apenas eles se bastam. E pensam que são felizes quando estão dançando, beijando, transando. Acham mesmo. Até o momento que se confrontam com tudo o que fizeram, como Amy se confrontava o tempo inteiro. Suas letras eram um pedido de socorro. As pessoas compravam seus cds, iam a seus shows, cantavam, cantavam. Mas quem entendia o que ela gritava dentro dela mesma?
Quantos jovens que se dizem católicos estão tão perdidos quanto ela porque não aceitam o que a Igreja diz? Aceitam os 10 mandamentos (ou 9, 8, 7, depende do momento que estão vivendo) mas não aceitam o magistério da Igreja. E, porque vivem num relativismo entranhado, pensam que não tem nada demais. É um pensamento do *eu acredito em Deus, vou à missa, comungo, mas não aceito tudo o que a Igreja fala*. "Nesse sentido, é inconsistente afirmar-se católico, dizer que crê na eucaristia, que Jesus é Deus, defender a intercessão dos santos e ao mesmo tempo discordar do Magistério em questões como o aborto, a eutanásia, a contracepção, entre outras. Se a Igreja não tem autoridade para afirmar que essas práticas violam a lei moral, então todo o depósito doutrinário que professamos não tem fundamento(…) Esta mesma Igreja que, em sua autoridade, apresentou-nos Deus e Cristo como conhecemos, também nos apresenta os Seus ensinamentos. Se não cremos que o Espírito Santo instruiu sua Igreja no caminho da verdade, como prometera Nosso Senhor, veremos, mais cedo ou mais tarde, que nossa fé não tem sentido" (Tarcísio A.C., "É Possível Ser Parcialmente Católico?").
“O amor divino cria o bem na criatura amada.” Quantos buscam a satisfação em coisas terrenas por não entenderem que nossa alma só descansa quando encontra o verdadeiro amor, o amor do Pai.
Tenho quase certeza de que muitos vão parar de ler aqui (se já não queriam parar antes) porque vão me chamar “conservadora” e os conservadores não tem vez. Condenar práticas consideradas extremamente comuns é feio, não é? Nós perdemos um pouco o crédito, afinal a maioria das pessoas não sabe mais o que é A Verdade e pensam que nós estamos sendo retrógrados ou intolerantes. Assim como falar de Deus nesses momentos pode, para alguns, soar piegas e até fazer com que as pessoas que concordaram comigo até agora pensem que eu estou “apelando” ou passem a me achar menos lógica ou inteligente. Infelizmente. Mas a verdade é que somente estando n’Ele e com Ele conseguimos ser nós mesmos, simplesmente porque passamos a nos enxergar como Ele nos vê.
Falta Deus no mundo sim. Mais quanta tristeza precisa acontecer para as pessoas perceberem isso?
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